sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Câncer de colo de útero: um alerta para a população feminina


Janeiro já começou e traz com ele um tema muito importante: a conscientização sobre o câncer de colo de útero, tipo de tumor que ocupa o segundo lugar no ranking dos cânceres femininos no mundo, só perdendo para o de mama. No Brasil está em terceiro lugar, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

De acordo com a Dra. Neila Speck, ginecologista e professora do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), esse tipo de câncer é tão presente na população feminina porque a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), responsável pelo surgimento da doença, é altamente prevalente na população sexualmente ativa. “80% das mulheres terão contato com esse vírus durante suas vidas, porém a maioria elimina a infecção espontaneamente. Mas 10% delas não eliminam por condições imunológicas individuais e, com isso, a paciente passa a ter o risco de desenvolver lesões pré-cancerosas ou até mesmo o câncer”, adiciona Dra. Neila.

O que é o câncer de colo de útero?


A ginecologista explica que o câncer do colo do útero é um tipo de tumor maligno bastante frequente no Brasil, sendo a terceira causa de câncer entre as mulheres, provocado pelo papilomavírus humano (HPV). Determinados tipos de HPV, conhecidos como oncogênicos (cancerígenos), provocam esse tumor quando a infecção persiste por mais de 15 anos e a imunidade não teve capacidade de eliminar esse agente. Em fase inicial, a doença é assintomática. Porém, quando avançada, pode provocar sangramento irregular e/ou na relação sexual, corrimento com mau cheiro e dor no baixo ventre.

Segundo Dra. Neila, os fatores de risco para o câncer de colo de útero incluem: início sexual precoce, multiplicidade de parceiros sexuais, tabagismo, imunossupressão (HIV, transplante de órgãos, uso de corticóide) e outras doenças sexualmente transmissíveis. “A faixa etária de risco é entre 30 a 50 anos, sendo que aos 30 aparecem principalmente as lesões precursoras (pré-cancerígenas). É raro acontecer abaixo dos 25 anos”, adiciona a médica.

Rastreamento do HPV pode apresentar um novo cenário para a prevenção do câncer de colo do útero


Dra. Neila afirma que a prevenção primária desse tipo de câncer seria pela vacinação contra o HPV na qual há proteção contra os dois tipos mais agressivos do vírus (16 e 18). Vale lembrar que o uso da camisinha promove uma prevenção apenas parcial.

Já a outra forma de prevenir o problema é feita pela realização de exames nos quais se detecta o vírus antes dele se manifestar, conhecidos como teste de DNA-HPV ou a realização do exame preventivo (Papanicolaou), que identifica as células doentes produzidas pelo HPV.

Porém, a ginecologista ressalta uma informação importante e pouco conhecida pela população: um terço dos cânceres de colo do útero, por exemplo, ocorre em mulheres com exame de Papanicolau sem alteração. “O exame de Papanicolaou pode apresentar falhas em torno de 25% e, dependendo da qualidade do laboratório, em até 50%. É um exame que precisa ser repetido com uma certa frequência para que se detecte a alteração, caso não tenha sido diagnosticado na primeira vez. É um procedimento que depende de um profissional qualificado para uma boa interpretação. Já o teste do DNA-HPV é completamente automatizado, não necessita de interpretação humana, quem identifica a presença ou não do vírus é uma máquina, o que lhe confere uma sensibilidade muito alta no diagnóstico das lesões pré-cancerígenas. E, ao menor sinal de doença, ela é tratada, o que confere cura de 95% nos casos das lesões precursoras e impedindo a evolução para o câncer”.

O teste de DNA-HPV é o primeiro e único teste nos Estados Unidos indicado para o rastreio primário na identificação de mulheres com 25 anos ou mais portadoras do HPV de alto risco e que estão susceptíveis a desenvolver o câncer de colo do útero. Isso porque, com o avanço da ciência e da tecnologia molecular, é possível realizar a análise da amostra de células do colo do útero para identificar a presença do DNA do vírus HPV. No Brasil, o teste já pode ser solicitado durante as visitas periódicas ao ginecologista para auxiliar na detecção do vírus e evitar suas complicações.

Esse exame é o único teste aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) que permite identificar os HPV 16 e 18, além de detectar outros 12 genotipos de HPV de alto risco em uma única análise. No Brasil, é disponibilizado na maioria dos laboratórios de análises clínicas, além de estar no roll de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ao identificar as mulheres com maior risco de desenvolver o câncer de colo do útero, o teste oferece aos profissionais de saúde respostas que auxiliam tomadas de decisões importantes para garantir a saúde de suas pacientes.
“A utilização do teste como um complemento dos exames periódicos femininos é fundamental para identificar a mulher que está em risco de câncer de colo do útero. Apresenta sensibilidade maior que o exame de Papanicolaou, que pode falhar em muitas situações. Vale ressaltar que cerca de pelo menos 14 tipos de HPV são considerados oncogênicos. E por ser assintomática, a infecção coloca milhares de mulheres em risco de desenvolver cânceres na região genital que podem ser evitados, como o câncer de colo do útero. E, infelizmente por questões de custos, o teste de DNA-HPV acaba não sendo tão conhecido”, finaliza Dra Neila.

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