segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Câncer de próstata X doenças cardiovasculares


Você sabia que cerca de 30% dos pacientes com câncer de próstata possuem doenças cardiovasculares associadas (1)?

Dra. Ariane Macedo, cardiologista e vice-presidente do Grupo de Estudos em Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica que tanto o câncer de próstata quanto os problemas cardíacos compartilham alguns fatores de risco em comum como, por exemplo, o tabagismo, sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada. Além disso, a terapia de bloqueio hormonal, um dos tratamentos utilizados para o câncer de próstata em estágio avançado, juntamente com todos esses fatores citados pela médica, pode ocasionar problemas no coração em pacientes que já tenham a doença cardiovascular mesmo que oculta e sem sintomas.

“Quando temos um homem com câncer de próstata cujo tratamento indicado é a terapia de bloqueio hormonal, precisamos nos preocupar com os riscos cardíacos já que esse indivíduo pode ter alguma doença cardíaca oculta que, caso não for cuidada, pode evoluir com complicações durante o tratamento do câncer, tendo que por vezes suspendê-lo, o que não é ideal”, salienta a médica.

Alerta para os pacientes e para os médicos


Por conta desse significativo número de homens com câncer de próstata com doenças cardiovasculares associadas, Dra. Ariane conta que o grupo de cardio-oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) tem feito um alerta aos médicos, principalmente aos urologistas e oncologistas, e, também, aos pacientes, sobre a importância de uma avaliação cardiológica para evitar problemas durante o tratamento do câncer.

“Quando identificamos uma pessoa com maior risco cardíaco, estudamos junto com os urologistas e oncologistas outras alternativas também de bloqueio hormonal. Hoje, alguns estudos têm mostrado que já existem terapias que fazem o bloqueio da testosterona de forma potencialmente mais segura com relação ao risco cardiovascular, portanto podemos optar, em alguns casos, por esse tipo de tratamento. Há pesquisas em andamento nos EUA e Canadá que estão avaliando de maneira prospectiva, que é quando acompanhamos o indivíduo desde o início e ao longo de todo o tratamento para verificar se realmente existe essa segurança maior em relação ao risco cardíaco. O ideal é sempre fazer essa avaliação para verificar como está o coração do paciente e discutir com os médicos envolvidos a melhor estratégia. E, além disso, ainda tratar em paralelo o problema cardíaco, bem como outras patologias que o homem possuir”, afirma a cardiologista.

Opção de tratamento


Estima-se que cerca de 30% dos pacientes com câncer de próstata possuam doenças cardíacas associadas (1). E, nesses casos, estudos mostram que o tratamento hormonal antagonista (degarelix) – um bloqueador dos receptores de GnRH – demonstrou a redução do risco de eventos cardiovasculares em 56% quando comparado às terapias agonistas através de uma metanálise.

O degarelix, administrado como monoterapia, atua por meio do bloqueio direto da testosterona, fazendo com que o nível de supressão seja atingido dentro de um prazo de três dias após o início do tratamento (2,3), ao contrário dos agonistas que demoram, em média, de três a quatro semanas para suprimir a testosterona. (4, 5, 6)

“O tratamento com o bloqueador degarelix proporciona diversos benefícios aos pacientes, como supressão rápida da testosterona e não ocorrência do flare clínico, ou seja, picos de hormônios que causam dores ósseas, compressão medular e outros comprometimentos de saúde resultantes do câncer de próstata avançado”, explica João Carvalho, urologista do Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ).

Dra. Ariane finaliza informando que é muito importante lembrar que tanto o câncer de próstata quanto os problemas no coração são frequentes e prevalentes e a ideia do acompanhamento cardiológico é totalmente preventivo. “O que nós queremos é que a terapia hormonal flua e o que o paciente se cure do câncer, mas também não podemos deixá-lo sofrer um evento cardíaco que comprometa sua vida e o seu tratamento oncológico. Vale lembrar que as doenças cardíacas são as que mais matam no mundo”, adiciona a médica.

E essa foi a última matéria do nosso Especial Novembro Azul. Esperamos que vocês tenham gostado e se informado um pouco mais sobre esse tema tão importante para a saúde masculina.

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Outras fontes consultadas: Ferring Pharmaceuticals.
Referências – Fornecidas pela Ferring Pharmaceuticals
1. Albertsen PA, Klotz L, Tombal B, et al. Cardiovascular Morbidity Associated with Gonadotropin Releasing Hormone Agonists and an Antagonist. Eur Urol 2014;65(3):565-73. PMID: 24210090
2. Klotz L, Boccon-Gibod L, Shore ND, et al. The efficacy and safety of degarelix: a 12-month, comparative, randomized, open-label, parallel-group phase III study in patients with prostate cancer. BJU Int 2008;102 (11):1531-8. PMID: 19035858
3. AWMSG secretariat assessment report (full submission). Advice No. 4112. Degarelix (Firmagon)80mg and 120mg injection (based on evidence submitted by Ferring Pharmaceuticals (UK) on 6 July 2012). Disponível em: http://www.awmsg.org/awmsgonline/app/appraisalinfo/755. Acesso em 24/02/2015
4. Rick FC, Block NL, Schally AV. An update on the use of degarelix in the treatment of advanced hormone-dependent prostate cancer. Onco Target and Therapies 2013;6:391-402. PMID: 23620672
5. European Medicines Agency. Assessment Report for Firmagon. Doc.Ref: EMEA/CHMP/635761/2008. Disponível em: http://www.ema.europa.eu/docs/en_GB/document_library/EPAR_-_Public_assessment_report/human/000986/WC500023256.pdf. Acesso em 24/02/2015
6. AWMSG secretariat assessment report (full submission). Advice No. 4112. Degarelix (Firmagon) 80mg and 120mg injection (based on evidence submitted by Ferring Pharmaceuticals (UK) on 6 July 2012). Disponível em: http://www.awmsg.org/awmsgonline/app/appraisalinfo/755. Acesso em 24/02/2015

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