sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Dengue, Zika vírus e chikungunya: Diferenças e semelhanças.

Dengue, zika e chikungunya são vírus transmitidos pela picada do mosquito Aedes aegypti, infectado. As três podem trazer graves consequências quando entram em contato com os seres humanos, sendo que muitos destes efeitos foram descobertos recentemente, como a relação entre a infecção pelo zika em gestantes e o nascimento de bebês com microcefalia - que é uma condição neurológica que faz com que a criança tenha a cabeça significativamente menor do que a média para a sua idade e sexo.


Apenas no ano de 2015 foram registrados 2.975 casos suspeitos de microcefalia, de acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde naquele ano, sendo que uma das principais suspeitas é que o surto esteja relacionado à infecção pelo Zika vírus durante a gravidez. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, entre os anos de 2010 e 2014 foram registrados um total de 781 casos em todo país. Em 2016 este número continua a subir, com o risco de se espalhar, inclusive, para outros países. Em relação à contaminação pela dengue, os números também são alarmantes. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil apresentou índice recorde de 1.6 milhão de pessoas infectadas pela doença em 2015. O número é o maior já registrado desde os anos 90.

As altas estatísticas de contaminação pelo Aedes aegypti se dão, entre muitos fatores, por ele ser um mosquito doméstico, que se aloja dentro ou próximo a domicílios, principalmente em áreas urbanas e locais com alta densidade populacional. Os surtos de contaminação costumam acontecer no verão, devido à elevação de temperatura e intensidade de chuvas - que possibilita e proliferação do mosquito. Diante da periculosidade que o mosquito apresenta, diversas cidades brasileiras decretaram estado de alerta contra o Aedes aegypti.

Ciclo de transmissão do Aedes aegypti

A transmissão dos vírus é feita pela fêmea. O ciclo começa no momento em que ela deposita seus ovos em recipientes com água, ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito da dengue adulto vive em média 45 dias.

O Aedes aegypti torna-se um vetor de contaminação depois de picar alguém que já foi infectado com o vírus da dengue (DEN-1, DEN-2, DEN-3 ou DEN-4), zika (ZIKV) ou chikungunya (CHIKV). É importante ressaltar que o mosquito pode transportar os respectivos vírus por toda a sua vida. Por isso é de grande importância que a pessoa que está no período de tratamento de dengue, zika e chikungunya se proteja para não ter contato com o mosquito novamente.

Depois que a pessoa é picada pelo mosquito que transporta os vírus, ela demora entre três a 15 dias para manifestar os sintomas, sendo mais comum entre o quinto e sexto dia. No caso da chikungunya de dois a 12 dias (mais comum de cinco a seis dias) após a picada, e no Zika de três a 12 dias.

Sintomas

Em comum, além de serem transmitidas pela picada do mesmo mosquito, as doenças aparecem em fases agudas, podem dar mal-estar, dores pelo corpo e de cabeça, e febre. "Entre as diferenças, a dor de cabeça costuma ser mais intensa na dengue, enquanto a dor nas articulações é mais intensa na chikungunya e o Zika raramente apresenta febre ou outros sintomas mais característicos", diz Esper Kallas, coordenador do núcleo de infectologia do Hospital Sírio-Libanês. "A infecção pelo Zika costuma apresentar também um quadro de conjuntivite em cerca de metade das pessoas, a vermelhidão no corpo costuma coçar e ela pode causar um aumento dos gânglios, sinais que não estão presentes nas outras duas", completa.

Apesar de todas as doenças causarem cansaço e dor no corpo, no caso da chikungunya, a dor nas articulações é incapacitante e também pode causar inchaço. Sendo assim, a pessoa não consegue fazer as suas atividades diárias. 


Veja o comparativo entre os sintomas na tabela abaixo:

Sintomas

Dengue: Dentre os sintomas da dengue temos febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, perda de apetite, manchas e erupções na pele principalmente na região do tórax e membros superiores, náuseas e vômitos, tontura, extremo cansaço, moleza, dor no corpo, ossos e articulações e no abdômen.

Zika vírus: Das três infecções, a por zika vírus é que apresenta os sintomas mais brandos, que incluem febre baixa, dor nas articulações, dor muscular, na cabeça e atrás dos olhos, conjuntivite, erupções cutâneas avermelhadas que podem coçar. Outros sintomas menos comuns são dor abdominal, diarreia, constipação e pequenas úlceras na mucosa oral.

Chikungunya: O sintoma mais característico da chikungunya é a dor incapacitante nas articulações, mas ela também pode vir acompanhada de febre, dor nas costas e na cabeça, erupções cutâneas, fadiga, náuseas, vômitos e dores musculares (mialgias).

Diagnóstico e tratamento

Para estabelecer se o paciente está com está com Zika, dengue ou chikungunya, além de analisar os sintomas, o médico pode solicitar exames para confirmar o diagnóstico. "Por exames laboratoriais gerais é muito difícil estabelecer a diferença entre as três. A dengue pode levar a uma queda no número de plaquetas, que é detectada num hemograma, mas o diagnóstico é feito por sorologia, em que se busca o anticorpo para a doença no organismo da pessoa. No caso da chikungunya, também é possível fazer o teste por sorologia em busca do anticorpo, mas o Zika não tem um teste por sorologia disponível. 

Os laboratórios privados estão buscando os testes de material genético (PCR) para o Zika e chikungunya", diz Kallas. Contudo, estes testes só podem ser aplicados até o quinto dia após a manifestação dos sintomas para o Zika vírus e até o décimo dia para chikungunya, uma vez que depois disso o vírus não está mais no organismo então não é detectado pelo teste de material genético (PCR).

O Ministério da Saúde divulgou na segunda quinzena de janeiro que está adquirindo 500 mil testes de PCR para fazer também o diagnóstico do Zika vírus nos laboratórios públicos, e que as primeiras 250 mil unidades serão entregues ainda em fevereiro e a segunda metade estará disponível no segundo semestre.

Além deste, o Ministério também divulgou que serão adquiridos outros 500 mil testes, chamados de Kit NAT, produzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para diagnóstico de dengue, Zika e chikungunya. Um tipo semelhante deste mesmo teste já era utilizado desde janeiro de 2014 para a detecção do HIV e hepatite C nos bancos de sangue brasileiros. Segundo a nota oficial do Ministério, "o Kit NAT discriminatório para dengue, Zika e chikungunya, permite realizar a identificação simultânea do material genético para os três vírus, evitando a necessidade de três testes separados", o que garantirá maior agilidade no diagnóstico.


Zika, dengue e chikungunya não têm uma medicação específica que combata o vírus, então o tratamento de todas é com base nos sintomas que a pessoa apresenta. "Nosso objetivo no tratamento é fazer o suporte clínico para controlar os sintomas e monitorar o surgimento de possíveis complicações, mantendo o paciente no melhor estado possível enquanto o ciclo do vírus se encerra naturalmente", explica Carolina Lázari, infectologista do Fleury Medicina e Saúde.

No caso da dengue, o médico responsável pedirá o monitoramento do hemograma do paciente, uma vez que esta doença pode causar complicações graves e até o óbito. "As pessoas que apresentam alguma alteração no hemograma são mantidas no mínimo em observação com hidratação endovenosa, que também é muito importante. Os casos mais simples podem ser tratados em casa enquanto os mais graves permanecem internados em observação. Este tipo de suporte não é necessário para os outros dois vírus, pelo que estamos aprendendo agora, pois as manifestações clínicas deles são mais brandas e é raro que haja óbito nestes casos, ao contrário da dengue", esclarece a infectologista.

Complicações

Apesar do Zika vírus ser o mais brando do ponto de vista do quadro clínico, o que os sintomas duram por menos tempo, ele é o que demanda maior atenção no caso das gestantes, uma vez que já foi confirmada a sua relação com problemas de desenvolvimento fetal - microcefalia. "Infelizmente, ainda não há nenhuma conduta específica para tratar esta mãe e proteger o feto. Diferente da sífilis e toxoplasmose, por exemplo, que temos medicamentos que, tratando a mãe de forma precoce durante o pré-natal, evitamos que o problema atravesse a barreira placentária trazendo sequelas ou complicações para quando o bebê nascer", diz Carolina.

O chikungunya, que tem os sintomas mais marcantes entre as três infecções, pode levar o maior tempo para que eles cheguem ao fim. "Talvez seja necessário o uso de uma maior quantidade de medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios e até corticoides para conter a atividade inflamatória e a dor e, além disso, já há relatos que a mesma infecção, depois de resolvidos os sintomas, pode voltar a se reativar, causando os mesmos sintomas novamente, o que não acontece para a dengue e o Zika", diz a médica. 

Veja as possíveis complicações do Zika vírus, dengue e chikungunya no quadro a seguir:

Complicações

Dengue: As principais complicações da dengue são choque circulatório, hemorragias, complicações viscerais como hepatite e encefalite, entre outras. O choque pode ocasionar diversas complicações neurológicas, cardiorrespiratórias, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural, além de poder levar a óbito.

Zika vírus: As complicações do Zika num adulto são de ordem neurológica, como a Síndrome de Guillain-Barré. Também no caso das gestantes, há o risco de problema de desenvolvimento fetal, acarretando no nascimento do bebê com microcefalia e outras más formações.

Chikungunya: No caso do chikungunya, as principais complicações são a demora para resolução dos sintomas, principalmente as dores articulares, o que pode fazer com que a pessoa demore várias semanas para retomar suas atividades diárias, além da possibilidade de reativação da doença depois de um período de melhora.


Os vírus têm a capacidade de, até certo ponto, se modificar e também de atingir de formas diferentes as diversas populações que acabam os contraindo ao longo do tempo. Justamente por esta razão não é possível dizer ainda se os vírus da dengue, Zika e chikungunya podem estar relacionados a outras complicações além destas.

Diversas pesquisas estão sendo realizadas no Brasil e no mundo sobre este assunto, mas ele ainda é muito novo e demanda mais tempo para a confirmação e registro na literatura médica e científica dos seus efeitos.

Fonte: MinhaVida

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Alimentos: o que ajuda e o que é melhor evitar!

Náuseas e Vômitos


São relatados pelos pacientes como o efeito colateral mais desagradável do tratamento. Aproximadamente 30% das drogas quimioterápicas provocam náuseas e vômitos. Alguns pacientes acabam desenvolvendo estímulos condicionados, ou seja, associam o tratamento com os efeitos e então eles aparecem. Seu médico pode orientar o uso de antieméticos sempre que necessário.

Experimente: Mingau de aveia, torradas, biscoitos integrais, bolachas cream cracker e alimentos frios.

Sucos de frutas, frutas em pedaços, água de coco, gelatinas e sorvetes de frutas, iogurte e raspadinha de gelo.

Evite

Alimentos quentes, alimentos gordurosos, alimentos fritos, alimentos muito doces, condimentos, pimentas, alimentos com odores fortes.

Sugestões

Faça uma dieta fracionada, comendo pequenas quantidades, lenta e frequentemente.

Evite a ingestão de líquidos junto às refeições.

Evite comer em locais abafados, quentes ou com odores que possam causar náuseas.

Não tente ingerir seus alimentos preferidos quando sentir náuseas.

Descanse após refeições, pois a atividade pode retardar a digestão.

Se a náusea costuma aparecer durante o tratamento, evite comer 1 ou 2h horas antes da quimioterapia ou radioterapia.

Tente descobrir quando a náusea ocorre e qual sua causa.

Introduza mudanças no seu plano alimentar. Fale com o médico ou nutricionista.

Vômitos


O vômito pode seguir à náusea e ser provocado pelo tratamento, por odores de alimentos, pela presença de gases no estômago. Se o vômito for intenso ou durar alguns dias entre em contato com seu médico. Após o vômito:

Beber pequenas quantidades de líquidos, se possível 50 ml de 20/20 minutos.

Experimente uma dieta líquida, até conseguir retornar a sua alimentação normal, gradualmente.

Faça uma dieta fracionada, se possível, comendo de 2/2 horas.

Evite

Comer enquanto os vômitos não estiverem controlados.

Perda de Apetite (Anorexia)

A perda ou a falta de apetite é um dos problemas mais comuns do tratamento. Muitas coisas afetam o apetite, inclusive o mal-estar e a depressão. As sugestões a seguir podem auxiliá-los a tornar mais agradável a hora das refeições para que você tenha mais vontade de comer:

Varie cores dos alimentos servidos no seu prato. Arranje-os atrativamente.

Não coma com pressa.

Ocupe-se com suas atividades normais. No entanto, se não estiver com vontade e não quiser participar delas, não se sinta obrigado a isso.

Tente mudar a hora, o lugar e o ambiente onde comer. Coloque uma mesa colorida, ouça música suave enquanto come. Coma com outras pessoas.

Várias e pequenas refeições ao longo do dia podem dar melhores resultados.

Experimente: Dieta Fracionada, utilizar em suas refeições os alimentos de sua preferência.

Variar as cores dos alimentos no seu prato.  

Evite

Ficar sem se alimentar.

Diarreia


É um dos efeitos indesejados que pode surgir com o uso da Quimioterapia, mas também pode estar relacionado à ansiedade, nervosismo, alimentação e outras medicações.

O primeiro cuidado é com a alimentação, que passa a ter uma finalidade obstipante.

A diarréia pode ocasionar desconforto abdominal acompanhada de distúrbios hidroeletrolíticos e de absorção, podendo causar outros problemas, como desidratação e aumentar o risco de infecção. Entre em contato com seu médico se a diarréia for intensa ou durar mais de dois dias.

Experimente

Hidratar-se bem durante o dia com sucos permitidos, água, água de côco.

Preparações a base de maisena, purê de batata, mandioca, mandioquinha, arroz, macarrão e cará.
Preparar purês sem leite.

Ingerir caldo de carne, fécula de batata, ovos cozidos.

Evite

Frutas como: laranja, mamão, manga, ameixa, mexerica.

Ingerir frutas com casca e bagaço.

Saladas cruas, verduras refogadas, legumes, feijão, ervilha, milho.

Leite e seus derivados (iogurte, coalhada, creme de leite).

Alimentos integrais como: arroz integral, aveia, pão integral, farelos, sementes, gérmen de trigo.

Picles, azeitona, e molhos com vegetais.

Frutas secas, amendoins, pipoca, côco.

Frituras e alimentos gordurosos

Dicas
Faça uma dieta fracionada comendo várias vezes ao dia.

Procure ingerir alimentos e líquidos que contenham sódio e potássio, que são eliminados durante a diarreia.

Após acessos súbitos e curtos de diarréia faça uma dieta líquida nas primeiras 12h a 14h.

Constipação

Outro efeito da Quimioterapia que também pode ter diferentes etiologias como: uso de outras medicações, alimentação incorreta e a ausência de exercício por parte do paciente. As medidas de controle iniciam-se com a alimentação que passa a ser rica em fibras. Em casos extremos utiliza-se medicação, após consulta com o seu médico.

Experimente

Bater ameixa seca com iogurte e aveia.

Frutas como laranja, mamão, abacaxi, mexerica, manga, pêra, ameixa, sempre que possível com casca e bagaço. Utilize 3-5 porções por dia.

No almoço e jantar: saladas cruas, verduras refogadas, legumes, feijão, milho.

Acrescentar cereais integrais no dia-a-dia, como arroz integral, pão integral, aveia, farelo de trigo, musli, granola.

Evite

Preparações à base de maisena, molhos brancos e gratinados, bolos, farinha, pão branco, arroz branco, macarrão, tortas.

Dica

Utilize 8 a 10 copos de líquidos por dia. Faça 6 refeições ao dia mastigando bem os alimentos e mantendo regularidade nos horários (3/3horas).

Ganho de Peso

Às vezes, os pacientes engordam durante o tratamento mesmo sem ingerirem calorias em excesso. Certos medicamentos contra o câncer podem causar retenção de líquidos pelo organismo, o que induz ao ganho de peso, a isso se dá o nome de edema. O peso extra é constituído por água, e não significa que você está comendo exageradamente.

Em alguns casos, o excesso de calorias na alimentação proveniente de uma dieta desbalanceada rica em gorduras, doces e frituras pode levar ao ganho de peso. Consulte sua nutricionista para uma alimentação adequada. Não faça dietas sem orientações, isso pode ser prejudicial a sua saúde e ao seu tratamento.

Intolerância à Lactose


Intolerância à lactose significa que o organismo não consegue digerir ou absorver o açúcar existente no leite, chamado lactose. A intolerância a lactose pode ocorrer após tratamento com antibióticos, com a radiação no estômago ou com qualquer tratamento que afete o tubo digestivo. Em algumas pessoas, os sintomas como gases, cólicas e diarréia desaparecem algumas semanas depois do término do tratamento. Para outras, poderá ser necessária uma mudança permanente nos hábitos alimentares.

Experimente

Leite de soja.

Leite com pouca lactose.  

Evite

Leite e derivados,

Plenitude Gástrica.

Plenitude gástrica pode se manifestar com a sensação de estômago cheio muito rapidamente.

Experimente

Fazer pequenas refeições várias vezes ao dia utilizando alimentos mais leves.

Alimentar-se devagar.

Evite

Alimentos gordurosos, frituras, manteiga e molhos ricos em gorduras.

Líquidos junto às refeições.

Dores na Boca ou Garganta


A radioterapia, os medicamentos contra o câncer e as infecções frequentemente produzem sensibilidade na boca ou nas gengivas e dor na garganta ou no esôfago. Certos alimentos irritam ainda mais a boca que já esteja sensível, dificultando a mastigação e a deglutição.

A escolha correta do alimento e a adoção de cuidados especiais com a boca podem facilitar o ato de comer. Experimente alimentos fáceis de mastigar e engolir como:

Bananas, purês de frutas.

Caldas e cremes de pêssego, damasco, pêra.

Melancia.

Queijo Cottage.

Purê de batatas.

Macarrão.

Queijo cremoso.

Cremes, pudins, gelatinas.

Ovos mexidos.

Mingau de aveia.

Purê de legumes. 

Evite

Frutas cítricas e seus sucos (laranja, tangerina).

Alimentos condimentados ou salgados.

Alimentos duros, ásperos ou secos, como legumes crus, granola, torradas, biscoito.

Dicas

Cozinhe alimentos até que fiquem pastosos e tenros.

Corte tudo em pedaços pequenos.

Misture os alimentos com manteiga, molhos e caldos para facilitar a deglutição.

Use liquidificador ou processador para fazer purês.

Use canudinho para beber líquidos.

Experimente comer os alimentos frios ou na temperatura ambiente.

Se os dentes e as gengivas estiverem sensíveis, o dentista poderá recomendar algum produto especial para a sua higiene bucal.

Alterações no Paladar e Olfato


As sensações de alteração no olfato e paladar podem mudar durante o período de tratamento devido a uma condição de perda ou enfraquecimento da sensação gustativa, os alimentos podem parecer "ter gosto amargo ou metálico”, especialmente a carne ou outros alimentos ricos em proteínas. Outros parecerão "ter menos sabor”. A Quimioterapia e a Radioterapia podem causar esses problemas.

Experimente

Alimento com sabor forte.

Utilizar ervas aromáticas para temperar os alimentos como: salsinha, cebolinha, orégano, alecrim, manjericão, hortelã.

Utilizar bacon, presunto, queijos, molho, para dar sabor aos alimentos.

Evite

Alimentos brandos, com pouco sal e ou temperos.

Dica

Melhore o aroma da carne de vaca, frango ou peixe deixando-o de molho em sucos doces de frutas, vinho doce, molhos agridoce.

Mucosite

Também chamada de estomatite. É caracterizada pelo surgimento de úlceras na boca e língua.
Algumas vezes provoca apenas sensibilidade a alimentos ácidos e quentes, mas na maioria dos casos compromete seriamente a ingestão dos alimentos. A higiene adequada é fundamental e deve ser observada cuidadosamente.

Experimente

Alimentos como caldos, sopas, vitaminas.

Uma dieta pastosa.

Alterar textura e temperatura dos alimentos.

Alimentos macios e de fácil deglutição: melão, uva, milk shake, banana cozida, pêra mole, pêssego, melancia, purês, queijos cremosos, gelatinas, pudins, ovos mexidos, mingau, líquidos.

Liquidificar os alimentos.

Acrescentar margarina e molhos não picantes às refeições.

Evite

Sucos e frutas críticas, alimentos crus, pães, entradas temperadas, alimentos muito frios, picles, comidas salgadas e apimentadas, torrada, granola, alimentos secos.

Xerostomia (Boca Seca)


A quimioterapia e a radioterapia na cabeça ou na região do pescoço podem reduzir o fluxo de saliva, causando "boca seca”. Essa sensação causa desconforto, dificultando a mastigação e deglutição, podendo inclusive alterar o sabor dos alimentos favorecendo a inapetência. As sugestões abaixo podem ajudar a enfrentar esse problema.

Experimente

Pudins, purês, iogurtes, milk-shakes, sorvetes, queijos cremosos, gelatinas.

Utilize preparações com molhos como: molho tártaro, molho rose, molho com creme de leite.
  
Evite

Alimentos ácidos ou muito salgados.

Temperos fortes como pimenta e cravos.

Alimentos ásperos como: farelos, cereais crus, torradas.

Utilize goles de água frequentemente para facilitar a deglutição.

Mantenha os lábios protegidos com manteiga de cacau.

Alimentos frios ou a temperatura ambiente são mais tolerados.


Se necessário, liquidificar os alimentos ou embeber os alimentos em leite ou chás.

Fonte: OncoGuia

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Alimentos naturais, porém tóxicos.

É bem comum pensar que os alimentos naturais são sempre benéficos para a saúde. Mas em alguns casos é preciso tomar certo cuidado principalmente para pessoas que apresentam algum problema de saúde. Isto porque alguns alimentos contam com fatores antinutricionais. "O termo 'fator antinutricional' é dado aos compostos desses alimentos de origem vegetal que ao serem consumidos, diminuem o valor nutricional ou efeito benéfico do alimento.

Eles interferem na digestibilidade, absorção ou utilização de nutrientes e, se ingeridos em altas concentrações, podem acarretar efeitos danosos à saúde", explica a nutricionista Hannah Médici. A seguir, saibam quais são esses alimentos e os cuidados necessários ao consumi-los.

Carambola: Risco para quem tem problemas renais


A carambola tem em sua composição o ácido oxálico que em quantidade elevada na urina aumenta a formação de cálculos de cálcio renais, por ser pouco solúvel na urina, e ainda pode causar irritação nas mucosas intestinais.

Assim, a carambola quando consumida em excesso pode causar pedras nos rins de pessoas saudáveis. Em pessoas que já tem problemas renais as complicações podem ser ainda maiores. A carambola possui uma toxina, que é absorvida no processo de digestão da fruta, filtrada pelo rim e eliminada através da urina.

No entanto, quando uma pessoa apresenta quadro de problema renal, com cerca de 10 a 15% de capacidade de funcionamento dos rins, essa toxina, que é um aminoácido modificado, vai para a corrente sanguínea, e se une as proteínas no sistema nervoso central. É por isso que essa toxina é chamada de neurotoxina, podendo afetar o sistema nervoso, causando soluços fortes, confusão mental, agitação, convulsões, sonolência, coma e até levar a morte em casos mais graves.

Assim, quando consumida por quem tem algum grau de problema renal, a carambola pode levar a intoxicação. "Nestes casos a maneira de retirar a toxina da corrente sanguínea é através da filtração do sangue na hemodiálise, que deve ser feita imediatamente correndo-se o risco de não dar tempo e a pessoa ir a óbito", explica a nutricionista Talitta Maciel, do Espaço Reeducação Alimentar.

Um dos grandes riscos é que problemas renais na maioria das vezes são assintomáticos. Então, a pessoa pode ter algum grau de insuficiência e não saber, comer a carambola e passar mal. Os diabéticos também devem evitar o consumo da carambola. "Isto porque a glicemia alta pode causar danos renais. Pessoas que não apresentam sinais de problemas renais, o ideal é fazer exames para verificar a função do órgão antes de fazer o consumo da fruta", orienta Talitta Maciel.

Para pessoas saudáveis, a quantidade recomendada de carambola é uma unidade do fruto maduro por dia. "Não há uma quantidade que pode ser considerada prejudicial porque isso é muito individual. A pessoa pode consumir meia carambola e causar problemas caso tenha alguma doença no rim, como também pode ingerir grandes quantidades do fruto e não desenvolver nada", observa Talitta Maciel. 

Espinafre: Evite o consumo das folhas cruas


O espinafre é rico em ácido oxálico e ácido fítico. O alto teor destes fatores antinutricionais inibe a absorção dos minerais cálcio e ferro de alimentos consumidos junto com esta verdura. "Os ácidos oxálico e fítico também contém saponina que pode levar à inflamação no intestino", observa Talitta Maciel.

Assim, o consumo em excesso de espinafre pode levar a cálculos renais, artrite, reumatismo e gota, além de deficiência de cálcio e ferro por interferência na absorção destes minerais.

"Quando o espinafre é cozido, pode ser consumido diariamente sem problemas. Contudo, sua versão crua deve ser ingerida no máximo uma vez por semana, mas do que isso os problemas podem aparecer", explica Talita Maciel.

Portanto, é preciso ter alguns cuidados ao consumir o espinafre. Pessoas com tendência à formação de cálculos renais, problemas renais em geral, artrite reumatoide, ácido úrico, gota e reumatismo devem evitar o alimento cru ou cozido. Enquanto pessoas saudáveis não devem ingeri-lo em grandes quantidades.

Sempre consuma o espinafre cozido, com a tampa da panela aberta, pois isto ajuda a saponina a evaporar. Não utilize o caldo de cozimento do espinafre porque ele contém muitos dos antinutrientes desta verdura.

Mandioca brava: Ela contém uma espécie de veneno


O principal problema está na mandioca da espécie Mahihot Esculenta, mais conhecida como mandioca brava. "Ela é rica em glicosídeos cianogenéticos que liberam uma substância chamada ácido cianídrico, um tipo de veneno, por isso ela não pode ser consumida cozida como a mandioca comum", alerta Talitta Maciel.

O ácido cianídrico presente na mandioca brava pode causar cansaço, fraqueza muscular, agitação, falta de ar, confusão mental, convulsão, coma e até a morte. "A mandioca brava só pode ser consumida quando submetida à temperaturas muito elevadas que destroem o efeito do veneno, por isso ela apenas é utilizada na preparação de farinhas", diz Talitta Maciel. É muito raro encontrar essa mandioca, mas vale ficar atento. 

Existem mais de 250 tipos de mandiocas. Para garantir a saudabilidade do alimento, é importante saber a origem desta mandioca e não consumir aquela que encontrar na natureza. "A mandioca brava costuma ser mais fina e ter o caule mais fibroso", explica Maciel.

Algumas oleaginosas


Consumir além de seis castanhas-do-pará por dia pode ser prejudicial para a saúde. Isto porque esta quantidade do alimento possui 542 mcg de selênio, 774% da recomendação diária. O consumo ocasional de uma quantidade maior não vai causar nenhum problema, o que complica é o consumo crônico de altas quantidades da castanha. Pode ocorrer uma overdose de selênio que leva a uma condição tóxica conhecida como selenose. Os sintomas deste problema são náuseas, vômitos, dor abdominal, fadiga, irritabilidade, descamação das unhas, perda de cabelo, mau hálito, distúrbios gastrointestinais e danos ao sistema nervoso.

Assim, a orientação é ingerir entre uma e duas castanhas-do-pará por dia, considerando que cada castanha tem cerca de 5 gramas, consuma até 10 gramas. Além disso, fique pelo menos dois dias da semana sem consumir este alimento para evitar excesso de selênio.

Também é preciso ter cuidados ao consumir as amêndoas ou a castanha de caju. "Elas possuem cianeto, por isso devem ser ingeridas torradas para eliminar esse veneno", destaca Talitta Maciel. O problema do cianeto é que ele impede a absorção de minerais como potássio, magnésio e outros e isto favorece complicações como tireoide.

A castanha de caju conta com uma substância chamada urishol. "Trata-se de uma toxina alergênica que irrita bastante a pele, causando inflamações", diz Maciel. O urishol desaparece quando a castanha de caju é torrada, por isso é importante consumi-la apenas desta forma.

Óleo de Copaíba

O óleo de copaíba é consumido em gotas diluídas em água e faz sucesso devido à sua ação anti-inflamatória e porque algumas pesquisas iniciais apontaram que ele ajuda na prevenção do câncer e é aliado do sistema nervoso central.

Contudo, esse óleo pode causar intoxicação se consumido em excesso, podendo levar à diarreia, vômito, problemas de pele, irritação no intestino e fígado. "O óleo de copaíba deve ser introduzindo aos poucos no dia a dia não ultrapassando 6 gotas diárias, começar com 1 gota na primeira semana de uso e ir aumentando gradativamente semana a semana até chegar as 6 gotas, evitando assim que o organismo não reconheça o óleo e cause os sintomas de intoxicação", explica Talitta Maciel. O consumo deve ser observado e em caso de alguma reação suspender o uso.

Erva de São João


A erva de São João é uma planta medicinal muito usada como antidepressivo natural, sendo consumida na forma de cápsulas. A recomendação da erva varia entre 100 e 300 miligramas por dia, sendo que só o médico poderá determinar a quantidade a ser ingerida. Porém, seu usou tem contraindicações importantes.

A erva de São João tem ação fotossensibilizante, de modo que já foram descritos casos de pacientes que ingeriram a planta e apresentaram dor após um banho de sol. Há relatos de casos em que a ingestão da erva de São João levou a psicose com alucinações e ilusões em pessoas sem histórico de desordens psiquiátricas pessoais ou na família. Também há trabalhos que descrevem casos de pacientes que desenvolveram estado de mania após a ingestão da erva. Ainda há o perigo de hipertensão se a erva de São João for combinada com alguns alimentos como queijo, repolho, picles e vinhos.

O Food and Drug Administration (FDA), organização dos Estados Unidos que controla alimentos e remédios, emitiu uma advertência sobre as interações provocadas pelo uso da planta concomitantemente com medicamentos anti-retrovirais. Isto porque a planta pode interferir na ação dos medicamentos contra o HIV.

Pesquisadores da Universidade de Zurique, Suíça, descobriram que a erva de São João interfere no efeito imunossupressor da ciclosporina, utilizada na prevenção da rejeição de órgãos transplantados. Pacientes transplantados de coração que utilizavam a ciclosporina e ingeriram a planta apresentaram rejeição aguda.

Pesquisas mostram que ocorrem sangramentos e falhas de contraceptivos orais em mulheres que utilizam a erva de São João. Portanto, quem utiliza pílulas deve evitar a planta. Estudos ainda apontam que a erva de São João podem interagir com sinvastatina e com os seguintes fármacos: antidepressivos tricíclicos, amitriptilina, nortriptilina, anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital), anticoagulantes, femprocumona e varfarina (Stockley, 2002).

A erva de São João ainda diminui o efeito anticoagulante do medicamento warfarina e pode aumentar a toxicidade de outros medicamentos como nefazodona ou inibidores seletivos da receptação de serotonina. Quando usado com a paroxetina, a erva de São João produziu náuseas e perturbação psiquiátrica.

Cogumelos


É importante ficar atento ao ingerir os cogumelos. Isto porque muitos deles podem ser venenosos. "Cerca de 80% dos cogumelos são comestíveis, mas existem aproximadamente 4 mil espécies venenosas", observa Talitta Maciel.

Os cogumelos mais consumidos são o shimeji, shitake, champignon, Portobello, cogumelo-do-sol, hiratake, cogumelo salmão e cogumelo rei. Para evitar cogumelos venenosos, é importante ter informações sobre a origem do cogumelo, dados sobre o produtor, número de lote, entre outros. E nada de colher cogumelos das árvores e ingerir!


Fonte: MinhaVida

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Como falar sobre o câncer com o meu filho?

Diante do diagnóstico do câncer, inúmeras modificações e adaptações na rotina deverão ser feitas por toda a família. Conversar com uma criança ou adolescente a respeito do câncer não é uma tarefa fácil. Alguns pais preferem contar, outros não. É importante lembrar que as crianças e/ou adolescentes têm todo o direito de saber quando alguém de sua família está doente e precisando de ajuda. Elas têm as suas antenas ligadas e conseguem perceber quando algo não está bem.


Quando a verdade lhe é omitida, o seu filho poderá se sentir isolado, preocupado e com medo, excluído das questões familiares. A partir do momento em que seus filhos estão cientes da verdade, eles terão a chance de lhe fazer perguntas sempre que surgirem dúvidas e poderão ser confortados quando sentirem medo. Abaixo selecionamos algumas dicas para você:

Se possível, escolha um momento ideal e um lugar tranquilo para conversar com os seus filhos.
Explique de maneira simples e verdadeira.

Use linguagem simples e adequada, escolhendo palavras que já façam parte do vocabulário deles.
Responda a suas questões á medida que elas forem surgindo. Seja honesto (a) com relação aquilo que você não sabe.


Procure não distorcer a verdade, com intenção de evitar perguntas difíceis ou embaraçosas. Se ele lhe fizer uma pergunta que você não saiba responder, diga: Não sei, mas podemos tentar descobrir a resposta juntos.

Expressar uma atitude de confiança e esperança a respeito da doença e seus tratamentos ajudará a criança a desenvolver essa atitude em si mesma, além de fazê-la sentir-se mais segura e apoiada.

Fonte: OncoGuia

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A depressão no tratamento contra o câncer.

Poucas coisas na vida são mais arrasadoras do que um diagnóstico de câncer.

Mas a tristeza natural pode dar lugar a um verdadeiro sabotador do tratamento: a depressão. Especialistas alertam que é preciso monitorar de perto o estado mental dos pacientes, pois os recém-diagnosticados estão mais vulneráveis à depressão clínica e é preciso que esse quadro clínico seja diagnosticado o quanto antes.

"Um estudo recente, feito pela Universidade de Pittsburgh e apresentado em um Congresso Americano de Oncologia revelou que a chance de sobrevida de quem não tinha depressão foi muito maior”, explica o oncologista Fernando Maluf, chefe do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Morais, da Beneficência Portuguesa de São Paulo.


A psicóloga Lívia Maria Silva, do Hospital do Câncer de Barretos, interior de São Paulo, explica que a depressão pode ser consequência em quem já tem um humor mais deprimido, que são aquelas pessoas naturalmente mais tristes.

"Quando essas pessoas recebem o diagnóstico do câncer o humor deprimido pode se transformar em depressão”, explica. "Uma coisa é a pessoa estar passando por alguma dificuldade, estar com humor deprimido, que é estar triste e desanimada, mas no outro dia tenta se animar. Outra coisa é a depressão, em que os sintomas não passam com facilidade”. Quando a tristeza, apatia e choro persistirem por mais de duas semanas, é necessário buscar ajuda médica.

Lívia ressalta que o atendimento psicológico é fundamental para o paciente obter melhoras. "Às vezes encaminhamos o deprimido para o psiquiatra, para que seja medicado, e o tratamento então é feito em conjunto com a psicologia”, explica.


Outro caso é a depressão naquelas pessoas que estavam vivendo um momento feliz, porém, quando recebem o diagnóstico, o mundo desaba. "Eles pensam que vão morrer. Quando a pessoa entra em contato com a fragilidade da vida, ela se deprime – e isso pode acontecer bruscamente”, explica a especialista. "Pessoas deprimidas têm recursos emocionais precários para lidar com o câncer. A tendência é que eles lidem com a doença de maneira ruim ou até mesmo abandonem o tratamento”.

Segundo Maluf, outro motivo que ainda está sendo investigado, é que a depressão pode gerar uma série de alterações em hormônios e proteínas, que poderia mexer na imunidade e defesas do organismo. "A depressão pode piorar o prognóstico do câncer, e está sendo pesquisado se a depressão pode até mesmo causar o câncer”, explica o oncologista.

Para o oncologista, é importante que o médico pare de prestar atenção somente no câncer, mas que observe mais o doente. "Melhorar a depressão significa melhorar a qualidade de vida”, diz Maluf. "Se a depressão for diagnosticada e controlada, o paciente se sentirá melhor, vai ter motivação e mais aderência ao tratamento contra o câncer. Além disso, o paciente sem depressão tem uma resposta imunológica melhor”.

Lívia conta que às vezes é o próprio paciente que percebe que está deprimido e procura ajuda. "Ele normalmente diz que não era assim antes de receber o diagnóstico do câncer”, explica.

Ajuda da família


A família exerce também um papel muito importante para a identificação da depressão ou no tratamento dela.

"Ela pode identificar que o paciente não consegue mais dormir, fica chorando pelos cantos, não tem vontade de fazer mais nada e procurar um especialista. Se toda vez que tocar no assunto o paciente chora, é preciso procurar ajuda”, explica.

"O papel da família é acolher a angústia do paciente. Em alguns momentos, a família deve ouvi-lo. Em outros, ela precisa ser mais dura, impor algumas coisas, como dizer que não é só tristeza, mas o paciente está melhorando”, conta a psicóloga, ressaltando que o mais importante é que a família não tentar dar conta disso sozinha. É necessário procurar ajuda profissional.

E em alguns casos quem precisa de ajuda é a própria família. "Eles podem não dar conta do sofrimento, não conseguir ver o paciente chorar e passar pelo tratamento. Para esses casos eu também recomendo a psicoterapia”, diz.

O oncologista confirma que a família e amigos são fundamentais. "Eles podem dar todo o suporte, podem acompanhar as consultas e os procedimentos, procurar os melhores serviços de excelência não só oncológicos, mas também psiquiátricos”, afirma.
Tratamento
Maluf explica que os medicamentos para depressão são importantes no tratamento.

"Os antidepressivos raramente interferem no tratamento contra o câncer. Somente alguns tipos podem interferir em alguns hormônios para o tratamento do câncer de mama”, explica o oncologista, ressaltando que é o médico quem vai avaliar e indicar o ideal.

Lívia recomenda sempre uma avaliação psicológica e sessões de terapia semanais. "A depressão pode ser revertida, então é importante procurar ajuda logo no início dos sintomas”, diz.

"O paciente começa a entender que as coisas vão mudar, que ele não é o câncer, mas que a doença é somente um processo. É importante que o paciente entenda que eles continuam desempenhando outros papeis na vida, como pai, mãe, filho ou profissional. A vida dele não gira somente em torno da doença”, encoraja.

Sinais de que a pessoa pode estar deprimida


Se um ou mais destes sinais persistirem por mais de duas semanas, é importante procurar ajuda:

- Mudança brusca do humor

- Apatia e desânimo

- Choro persistente

- Falta de motivação e perda de interesse

- Tristeza

- Insônia

- Angústia


Fonte: IG

Atividades Físicas e o Paciente com Câncer

No passado, acreditava-se que pacientes em tratamento de doenças crônicas, como câncer ou diabetes, deviam manter-se em repouso e reduzir suas atividades físicas. Hoje em dia, só precisam seguir essas orientações se o movimento provoca dor, aumento da frequência cardíaca ou falta de ar. Recentes pesquisas demonstram que a prática de exercícios não só é segura e possível durante o tratamento do câncer, como também pode melhorar a disposição, o corpo e também a qualidade de vida do paciente.


Por outro lado, o repouso em excesso pode resultar em perda funcional, atrofiamento muscular, além de reduzir a amplitude dos movimentos do paciente.

Confira alguns dos benefícios da prática regular de exercícios durante o tratamento:

Manter ou melhorar sua capacidade física.

Melhorar o equilíbrio, diminuindo o risco de quedas e ossos quebrados.

Evitar o atrofiamento dos músculos.

Diminuir o risco de doença cardíaca.

Diminuir o risco de osteoporose.

Melhorar o fluxo sanguíneo.

Tornar o paciente independente para suas atividades cotidianas.

Melhorar a autoestima.

Diminuir o risco desenvolver depressão.

Diminuir as náuseas.

Melhorar o humor e o relacionamento social.

Evitar a fadiga.

Ajudar a controlar o peso.

Melhorar a qualidade de vida.

Programa de Exercícios

Embora haja muitas razões para ser fisicamente ativo durante o tratamento do câncer, o programa deve ser baseado no que é seguro, eficaz e agradável para cada paciente. O programa deve levar em conta os programas anteriores de exercícios que o paciente já costumava seguir antes da doença e também seus novos limites. Portanto, o programa de exercícios deve ser adaptado aos seus interesses e necessidades.


O que levar em consideração:

Tipo e estadiamento da doença.

Tipo de tratamento.

Condicionamento físico.

Só inicie a prática de exercícios físicos após liberação de seu médico oncologista, e certifique-se que o profissional que irá elaborar sua rotina de exercícios conhece seu diagnóstico e suas limitações.

Precauções

Certifique-se que seus níveis sanguíneos estão adequados.

Não faça exercícios físicos se estiver com anemia.

Se suas taxas sanguíneas estiverem baixas evite locais públicos.

Não pratique atividades físicas se o nível dos minerais no sangue, como sódio e potássio, não estiverem normais.

Se você se sente cansado e sem vontade de praticar exercícios físicos, tente pelo menos fazer 10 minutos de alongamento diariamente.

Evite superfícies irregulares e exercícios que possam fazer você se machucar.

Evite exercícios que provoquem muita tensão nos ossos, se você tem osteoporose, metástase óssea, artrite e lesões nos nervos.

Se você tem problemas de equilíbrio, prefira a bicicleta ergométrica à esteira.

Avise seu médico se ganhar peso sem motivo aparente, tiver falta de ar ao mínimo esforço, tontura, dores, inchaços e visão turva.

Observe a ocorrência de sangramentos, especialmente se estiver tomando anticoagulantes.
Evite piscinas com cloro se tiver feito radioterapia.

Se você estiver usando um cateter, evite esportes aquáticos e outros riscos que podem causar infecções. Evite também treinos de resistência que exercitem os músculos na região do cateter.


Exercícios

Para obter melhores resultados é importante que você monitore seu coração. Preste atenção à sua frequência cardíaca, sua respiração, e seu cansaço. Se você tiver falta de ar ou se sentir muito cansado, pare e descanse um pouco, quando se sentir bem novamente retorne os exercícios. Respeite sempre o seu ritmo. Tenha cuidado se você estiver tomando remédios para controlar a pressão, pois sua frequência cardíaca pode não subir, mas sua pressão pode ficar elevada.

Não existe uma rotina definida de exercícios para pacientes com câncer. Essa rotina depende de cada paciente, e é importante que ajude a manter a resistência, força muscular e flexibilidade, mantendo o paciente capaz de realizar as coisas que quer e precisa fazer. Quanto mais o paciente se exercita, melhor irá se sentir.

É comum que pessoas que já praticavam exercícios regulares antes do diagnóstico do câncer, precisem reduzir a intensidade e a quantidade de exercício durante o tratamento. Mesmo que seja necessário parar com os exercícios físicos, é importante se manter ativo.

O que levar em conta ao planejar um novo programa de exercícios

Converse com seu médico sobre os tipos de exercícios que você poderá fazer.
Comece devagar e vá aumentando o ritmo lentamente, respeitando os limites do seu corpo. Mesmo que no começo você só possa fazer alguns minutos de exercícios por dia, você já se sentirá melhor.
Faça pequenas séries de exercícios com intervalos frequentes.

Inclua exercícios que trabalhem a força, flexibilidade e capacidade aeróbica.

Sempre faça um aquecimento antes de iniciar os exercícios. E no término das sessões faça um alongamento trabalhando sempre a respiração.


Fadiga e Câncer

A maioria dos pacientes com câncer percebe que tem muito menos energia do que antes. Durante o tratamento, cerca de 70% dos pacientes apresentam fadiga. Esse tipo de cansaço do corpo e do cérebro não melhora com o repouso. Para muitos, a fadiga é intensa e limita suas atividades. A inatividade leva à perda de massa muscular e perda de função.

Um programa de exercícios aeróbicos pode ajudar a fazer você se sentir melhor, podendo inclusive ser prescrito como tratamento para fadiga em pacientes com câncer.

Dicas para reduzir a fadiga:

Estabeleça uma rotina que permita que você faça os exercícios diariamente.

Exercite-se regularmente.

Faça pausa entre as séries de exercício.

A menos que seja indicado o contrário, mantenha uma dieta equilibrada, que inclua proteínas, e beba cerca de 8 a 10 copos de água por dia.

Faça atividades que lhe dão prazer.

Use técnicas de relaxamento e visualização para reduzir o estresse.

Peça ajuda quando precisar.

Exercícios Simples e Divertidos

O segredo é manter seu programa de exercícios simples e divertido. Técnicas de exercícios e relaxamento são ótimas maneiras de aliviar o estresse, que permitem que você se sinta melhor.
Dicas para melhorar o interesse pelos exercícios

Defina metas de curto prazo e longo prazo.

Concentre-se em se divertir.

Faça exercícios diferentes, tente dança, ioga, ou tai chi chuan.

Anote seu progresso, reconhecendo e recompensando suas realizações.

Adicione Atividade Física à sua Rotina

Dê uma volta pelo seu bairro após o jantar.

Ande de bicicleta.

Se mora em casa, corte a grama e varra o quintal.

Lave seu banheiro.

Lave seu carro.

Brinque com as crianças.

Passeie com o cachorro.

Dance.

Faça exercícios enquanto assiste TV.

Dispense o carro em pequenos trajetos.

Use as escadas em vez de elevador.


Boa sorte e bom exercício!

Fonte: Oncoguia