quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Cuidado com o ômega 3.

Os ácidos graxos ômega 3 apresentam diversos benefícios comprovados à saúde. Entretanto, eles também podem trazer riscos, incluindo o aumento do risco de câncer de próstata.


Em um estudo prospectivo de 9 anos, cientistas do Centro de Pesquisas do Câncer, de Seattle, retiraram amostras de sangue de 834 homens com diagnóstico de câncer de próstata e 1.393 sem qualquer câncer. Publicado, o estudo considerou mais de uma dezena de fatores de risco de câncer.


Para os homens cujos níveis de ômega 3 os posicionavam no quartil superior, o risco de câncer de próstata de baixo grau aumentava 44 por cento e o risco de câncer de próstata de alto grau, 71 por cento, em comparação com os homens que estavam no quartil inferior. 

Eles descobriram associações entre a doença e três tipos de ômega 3: ácido ecosapentanoico (EPA), ácido docosahexanoico (DHA) e o ácido docosapentanoico (DPA), encontrados em peixes e suplementos de óleo de peixe, mas não encontraram relação com o ácido alfa linolênico, proveniente da semente de linhaça.


Essas descobertas foram obtidas por meio de associações e não implicam em causalidade. Entretanto, de acordo com Theodore, principal autor do estudo que atualmente atua na Universidade do Estado de Ohio, os ácidos graxos ômegas 3 podem afetar a expressão do gene e, em doses altas, favorecer da oxidação ou suprimir a imunidade, fatores que podem levar ao aparecimento de um câncer.

Todavia, ele acrescentou que um possível "aumento do risco de câncer de próstata não elimina os efeitos benéficos para as outras doenças".

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Você conhece os fatores de risco do câncer de próstata?

Um fator de risco é algo que afeta sua chance de adquirir uma doença como o câncer. Diferentes tipos de câncer apresentam diferentes fatores de risco.

Alguns como fumar, por exemplo, podem ser controlados; no entanto outros não, por exemplo, idade e histórico familiar. Embora os fatores de risco possam influenciar o desenvolvimento do câncer, a maioria não causa diretamente a doença. Algumas pessoas com vários fatores de risco nunca desenvolverão um câncer, enquanto outros, sem fatores de risco conhecidos poderão fazê-lo.

Ter um fator de risco ou mesmo vários, não significa que você vai ter a doença. Muitas pessoas que contraem a doença podem não estar sujeitas a nenhum fator de risco conhecido. Se uma pessoa com câncer de próstata tem algum fator de risco, muitas vezes é muito difícil saber o quanto esse fator pode ter contribuído para o desenvolvimento da doença.

Fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver câncer de próstata:

Idade 


O câncer de próstata é muito raro em homens com menos de 40, mas a chance de ter câncer de próstata aumenta rapidamente após os 50 anos. Aproximadamente 60% dos cânceres de próstata são diagnosticados em homens com mais de 65 anos.

Raça
 


O câncer de próstata é mais frequente em homens de descendência africana do que em homens de outras raças. Pessoas de raça negra são mais propensos a serem diagnosticados em estágio avançado, e têm o dobro da probabilidade de morrer de câncer de próstata do que os homens brancos.

Nacionalidade


O câncer de próstata é o mais comum na América do Norte, noroeste da Europa, Austrália e nas ilhas do Caribe. É menos comum na Ásia, África, América Central e América do Sul. As razões para isso não estão claras. 

O rastreamento intensivo em alguns países desenvolvidos, provavelmente, é responsável por pelo menos parte dessa diferença, mas outros fatores, como diferenças de estilo de vida tendem a ser importantes. Por exemplo, os homens de origem asiática têm um menor risco de câncer de próstata do que os americanos brancos, mas o risco é maior do que a de homens de origens semelhantes que vivem na Ásia.


Histórico Familiar



Ter um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de próstata mais do que duplica o risco de um homem de desenvolver a doença.

Genes



Algumas alterações genéticas hereditárias podem aumentar o risco de desenvolver mais do que um tipo de câncer. Por exemplo, mutações dos genes BRCA-1 ou BRCA-2 podem aumentar o risco de câncer de mama e de ovário, entretanto, as alterações nestes genes também podem aumentar o risco de câncer de próstata em alguns homens, mas isso representa uma porcentagem muito pequena dos casos da doença.

Dieta


Alguns estudos sugerem que homens que consomem uma grande quantidade de cálcio, através dos alimentos ou suplementos, podem ter um maior risco de câncer de próstata. Laticínios, que muitas vezes são ricos em cálcio, também podem aumentar o risco. O exato papel da dieta no câncer de próstata ainda está sendo estudado. Os homens que comem muita carne vermelha ou laticínios ricos em gordura parecem ter uma chance ligeiramente maior de ter câncer de próstata. 

Esses homens também tendem a comer menos frutas e legumes. Os médicos não têm certeza de qual desses fatores é responsável por elevar o risco. Alguns estudos sugerem que os homens que consomem grandes quantidades de cálcio (através de alimentos ou suplementos) podem ter um risco maior de desenvolver câncer de próstata.

Obesidade


Acredita-se que homens obesos têm um risco maior de ter câncer de próstata mais agressivo. As razões para isso não estão claras.

Tabagismo


A maioria dos estudos não encontrou uma ligação entre tabagismo e o risco de desenvolvimento de câncer de próstata. Alguns estudos recentes têm ligado o tabagismo a um possível pequeno aumento no risco de morte por câncer de próstata, mas esta é uma nova descoberta que terá de ser confirmada por outros estudos. 

Exposição Ocupacional
 


Existe alguma evidência de que os bombeiros expostos aos produtos de combustão tóxica têm um risco aumentado de câncer de próstata.

Inflamação da Próstata


Alguns estudos têm sugerido que a inflamação da próstata pode ser associada a um risco aumentado de câncer de próstata. A inflamação é muitas vezes detectada em amostras de tecido da próstata, que também contêm câncer. A ligação entre os dois ainda não está clara, mas esta é uma área ativa de pesquisa.

Doenças Sexualmente Transmissíveis


Doenças sexualmente transmissíveis, como gonorreia ou clamídia, podem aumentar o risco de câncer de próstata, possivelmente levando a inflamação da próstata. Até agora, os estudos não são conclusivos.

Vasectomia 


Alguns estudos sugerem que homens que fizeram vasectomia, especialmente os que tinham até 35 anos no momento do procedimento, podem ter um risco levemente maior de câncer de próstata. Mas, a maioria dos estudos recentes não encontrou qualquer aumento do risco entre os homens que fizeram esta cirurgia. O medo de um aumento do risco de câncer de próstata não deve ser uma razão para evitar uma vasectomia.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O câncer de próstata no estágio inicial pode ter cura de até 90% dos pacientes.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de próstata é a segunda causa de morte por câncer em homens no Brasil e não apresenta sintomas nas suas fases iniciais, o que faz dele uma doença silenciosa e bastante perigosa. No entanto, se for diagnosticada precocemente por meio de alguns exames, a chance de cura para a doença é bem maior e pode chegar até 90%.


Para esclarecer algumas dúvidas sobre o câncer de próstata, seus fatores de risco e tratamentos disponíveis, convidamos o Dr. José Pontes Júnior, médico urologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, que dá informações importantes sobre essas questões e explica como até a alimentação pode interferir na doença.

Quais são os primeiros sintomas apresentados e que podem indicar câncer de próstata?

O câncer de próstata é o tumor mais frequente do sexo masculino, acometendo 1 em cada 8 homens e uma de suas características é não apresentar sintomas nas suas fases iniciais, ou seja, o tumor é silencioso no começo de seu crescimento.

Os sintomas no câncer de próstata surgem apenas quando o tumor se encontra em estágios mais avançados, quando os sintomas são causados pela compressão do canal da urina (uretra) pelo tumor. Neste caso o paciente pode notar jato urinário fraco e dificuldade para urinar. Os sintomas sistêmicos surgem quando o tumor se espalha pelo corpo, formando as denominadas metástases, que no caso do câncer de próstata são mais comuns nos ossos, logo o paciente com câncer de próstata em estágio avançado pode queixar-se de dores ósseas, emagrecimento, perda de apetite e dor lombar.

É importante salientar que diagnosticar o câncer no estágio inicial representa descobrir o tumor no momento em que a chance de cura é maior. O fato de o tumor ser assintomático nessa fase constitui a principal razão para a realização do exame anual de próstata, que dá a chance ao indivíduo de descobrir o tumor no início. 

O exame anual é indicado após os 45 anos de idade, sendo realizado através do exame de toque retal associado ao exame de sangue denominado PSA.

Quais podem ser as causas do câncer de próstata? A alimentação pode interferir, ao lado da genética?

A causa exata do câncer de próstata ainda não está bem estabelecida, mas fatores de risco que aumentam a chance de um indivíduo ter o câncer de próstata foram definidos. Homens que têm parente de primeiro grau com o tumor têm chance dobrada de apresentar também o câncer, e este risco aumenta de acordo com o número de parentes acometidos pelo tumor. A idade também é fator de risco, sendo a incidência do câncer de próstata mais frequente após os 65 anos de idade.

Uma dieta rica em gordura animal e carne vermelha e pobre em cereais e vegetais também está associada a uma maior chance de desenvolver o tumor. Este elo é comprovado pela observação de que os maiores índices de ocorrência do tumor no mundo estão nos países ocidentais como Estados Unidos e países da Europa, onde a dieta é rica em gorduras; ao contrário dos países asiáticos, onde a dieta é rica em carne branca e vegetais e a incidência de câncer de próstata é menor. Pesquisas nos Estados Unidos mostraram também que os homens da raça negra, naquele país, apresentavam maior chance de ter câncer de próstata.

Como é a evolução da doença caso não seja tratada adequadamente?

Caso o tumor seja diagnosticado em estágio mais avançado, ou seja, quando o tumor espalhou-se para outros órgãos, ou mesmo quando o câncer retorna após o tratamento inicial com cirurgia ou radioterapia, diz-se que não é mais possível curar a doença, mas podemos controlar e frear o crescimento do tumor com o tratamento hormonal, também chamado de hormonioterapia.

A hormonioterapia é feita com o uso de medicamentos ou com a remoção dos testículos através de uma pequena cirurgia – em ambos os casos o objetivo é retirar o hormônio testosterona da circulação sanguínea.
O câncer de próstata necessita do hormônio masculino denominado testosterona para o seu crescimento; se eu retiro a testosterona do organismo do paciente com a hormonioterapia, o tumor para de crescer e fica estacionado por uma média de 3 a 4 anos.

Se o tumor voltar a crescer mesmo com a hormonioterapia, o paciente pode relatar dores ósseas, cansaço, perda de ânimo, perda de peso, sangramento na urina, cólica de rins e perda de apetite. Nesta etapa costuma-se indicar a quimioterapia, que, embora não cure o tumor nessa situação, é capaz de aumentar o tempo de sobrevida. Se o tumor continuar a progredir, o paciente irá eventualmente morrer pelo câncer de próstata, e dados do Instituto Nacional do Câncer mostram que o câncer de próstata é a segunda causa de morte por câncer em homens no Brasil.

 Quais são os prognósticos para quem tem a doença? Eles dependem de quais fatores?

As chances de cura são maiores quando o câncer é descoberto no estágio inicial, ou seja, quando o câncer está localizado apenas na próstata. Nessa situação a cirurgia e a radioterapia podem curar até 90% dos pacientes. Quando o tumor saiu um pouco da próstata, mas não se espalhou para o organismo, as chances de cura caem para 40%. Quando o tumor já se alastrou pelo corpo humano formando as metástases, o que se chama de estágio avançado, já não há possibilidade de cura.

Os principais fatores de prognóstico, que são os fatores que dão a previsão do comportamento do tumor, são o estágio do câncer já discutido acima junto com o valor do exame de sangue chamado PSA e a nota do escore de Gleason. O PSA é uma substância feita pela próstata normal. Níveis elevados estão associados a maior chance de ter câncer, e quanto maior o valor do PSA, mais avançado é o estágio do tumor. Porém é importante lembrar que a inflamação da próstata, denominada prostatite, e o aumento benigno da próstata também podem elevar o resultado do PSA, logo um aumento isolado do valor de PSA não é certeza da existência de câncer.

O escore de Gleason é a nota que é dada para o câncer de próstata pelo médico patologista quando é feito o diagnóstico do tumor no microscópio. Quanto maior for a nota, maior é a agressividade do câncer. O escore de Gleason da maioria dos tumores vai de 5 a 10, sendo 10 o tipo de câncer de próstata mais agressivo.

A incidência do câncer de próstata é maior em qual faixa etária e por quais razões?

No geral o câncer de próstata é um tumor que apresenta crescimento lento, por isso as maiores taxas de incidência deste tumor surgem após a sexta década de vida. Estima-se que o tempo entre a ocorrência da primeira mutação que irá iniciar o desenvolvimento do tumor e o aparecimento de um nódulo na próstata seja de 15-30 anos. Reforçando a tese de que o tempo de desenvolvimento do câncer de próstata é longo, dados de um estudo americano que analisou a próstata de jovens que morreram de acidente automobilístico mostraram que 8% dos homens na terceira década de vida já apresentavam alterações pré-malignas na próstata.

Conforme já explicado, o envelhecimento é um dos fatores de risco para o câncer de próstata – quanto maior a idade, maior a chance de apresentar o tumor, por isso se diz que se todos os homens vivessem até os 100 anos quase todos desenvolveriam tumor na próstata. Com o envelhecimento da população mundial observado nas últimas décadas, e o Brasil caminha no mesmo sentido, visto o aumento contínuo de nossa expectativa de vida, é esperado que o número de novos casos de câncer de próstata cresçam proporcionalmente.


Em relação ao tratamento, qual é o mais convencional e o que há de mais recente?

O tratamento com intenção de curar o câncer de próstata pode ser feito basicamente por duas maneiras, a saber, cirurgia ou radioterapia. A cirurgia é um dos métodos mais empregados e consiste na retirada completa da próstata junto com as vesículas seminais. A cirurgia pode ser feita pela via tradicional com um pequeno corte abaixo da cicatriz umbilical ou através da laparoscopia convencional ou com o auxílio da cirurgia robótica; nesses dois últimos casos a cirurgia é realizada através de cinco orifícios no abdômen, e através do alargamento de um desses orifícios é removido o órgão no final do procedimento.

A cirurgia pela via robótica está associada a menor tempo de internação, de sangramento e de dor pós-operatória. Em relação às complicações da cirurgia, parece não haver diferença entre os três métodos de cirurgia em relação à chance de incontinência urinária ou disfunção erétil no pós-operatório. 

A cirurgia robótica tem se mostrado tão eficaz quanto a cirurgia aberta em relação à chance de curar o câncer. Porém, o conceito mais aceito atualmente é que o mais importante para reduzir a chance de complicações e aumentar a eficácia do tratamento cirúrgico está mais relacionado à habilidade do cirurgião do que com o tipo de técnica adotada, seja pela via aberta, laparoscópica ou robótica.

A radioterapia cura o câncer de próstata através da emissão de onda invisível de radiação que é direcionada à próstata. Ela pode ser feita por radioterapia externa, em que a radiação é gerada por um equipamento ao qual o paciente é posicionado junto, ou através de braquiterapia, na qual sementes radioativas são implantadas diretamente na próstata através de punções feitas na pele do períneo com o paciente sob anestesia. As duas opções são capazes de curar o câncer de próstata e podem apresentar as mesmas complicações da cirurgia.

Novas terapias focais que visam apenas a destruição do tumor sem remover a próstata, como a crioterapia e o HIFU, destroem o tumor respectivamente pelo frio ou pelo calor, e têm a vantagem de reduzir a taxa de complicações. Porém ainda são consideradas técnicas experimentais em alguns países, pois inexistem resultados seguros a longo prazo sobre este tipo de tratamento. Novos estudos com maior tempo de acompanhamento são necessários antes que possamos dizer com certeza que as terapias focais têm eficácia semelhante ao obtido com a cirurgia e a radioterapia.

Alguns tumores com características menos agressivas, especialmente em indivíduos idosos, podem ser apenas acompanhados, não havendo necessidade de tratamento. Existem, porém, controvérsias sobre qual seria o paciente que estaria apto a fazer apenas este seguimento, sendo sempre necessária a avaliação de um urologista para a tomada de decisão sobre a necessidade, ou não, do tratamento.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Aposte na prevenção do câncer de próstata.

Consumo de álcool, tabagismo e obesidade são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de nove dos principais tipos de câncer no Brasil. Estudo divulgado, recentemente, pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta que o crescimento da doença está associado à exposição da população a fatores de risco cancerígenos. A taxa de mortalidade que mais cresceu foi a de câncer de próstata, que praticamente dobrou no sexo masculino (95,48%) em 25 anos (1979 a 2004), ultrapassaram de 7,08 óbitos por 100 mil homens para 13,84 óbitos.


Os dados do INCA são preocupantes, pois, em números absolutos, o câncer de próstata é a segunda causa de morte da população masculina. O indicativo é grave e revela a pouca importância que o brasileiro dá à medicina preventiva, pois o tumor de próstata é passível de diagnóstico precoce, por meio de um exame de sangue e de um exame clínico.

Apostando na prevenção

A pesquisa do INCA sobre a distribuição dos tumores primários mais frequentes, realizadas de 1999 a 2003, mostra que 30,96% dos casos de colo do útero foram diagnosticados no estádio inicial e 27,23% nos estádios avançados. Nesta situação, foram diagnosticados 70,67% e 40,94% em reto e próstata respectivamente. Quanto mais cedo diagnosticado o câncer, maiores as chances de cura, a sobrevida e a qualidade de vida do paciente.

Segundo o estudo, é importante que a população em geral e os profissionais de saúde reconheçam os sinais de alarme para o câncer, como nódulos, febre contínua, feridas que não cicatrizam, indigestão constante e rouquidão crônica, antes dos sintomas que caracterizem lesões mais avançadas, como sangramento, obstrução de vias intestinais ou respiratórias e dor. Os principais sintomas do crescimento da próstata, segundo o urologista, são os de levantar várias vezes à noite para urinar, dificuldades no ato de urinar e dor à micção, que podem ocorrer nos casos benignos.


O câncer de próstata é silencioso, sem sinais evidentes a não ser em estágios mais avançados, quando já está infiltrado em órgãos adjacentes, ou quando suas metástases em ossos, pulmão fígado se manifestam. Um reforço nas ações de diagnóstico poderia, por exemplo, ajudar a reduzir o câncer de próstata, que, segundo a pesquisa, é detectado no estágio inicial apenas em 7% dos casos. Quando o diagnóstico do tumor primário é feito logo, 90% dos pacientes têm uma sobrevida maior que cinco anos. Já se for detectado tardiamente, essa proporção cai para a metade.

Para fazer o diagnóstico do câncer de próstata de forma precoce é necessário realizar o exame clínico de toque retal associado ao exame que revela a dosagem PSA (sigla de antígeno prostático específico) no sangue. Estes exames podem determinar a realização de uma ultrassonografia pélvica (ou prostática transretal, se disponível). A ultrassonografia, por sua vez, poderá mostrar a necessidade de se realizar a biopsia prostática transretal. Estes exames devem ser realizados todos os anos, a partir dos 50 anos. Embora a incidência do câncer de próstata não vá diminuir, por estar ligado ao envelhecimento, o diagnóstico na fase inicial pode reduzir significativamente a mortalidade.

Fatores de risco


A idade é um fator de risco importante, ganhando um significado especial no câncer da próstata, uma vez que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam, após a idade de 50 anos. Histórico familiar de pai ou irmão com câncer da próstata, antes dos 50 anos de idade, pode aumentar o risco de câncer em 3 a 10 vezes em relação à população em geral. Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, não só pode ajudar a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas metabólicas.

Tratando a moléstia
 


O tratamento do câncer da próstata depende do estágio clínico da doença. Para doença localizada, cirurgia, radioterapia e até mesmo uma observação vigilante (em algumas situações especiais) podem ser oferecidos. Para doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal tem sido utilizada. Para doença metastática, o tratamento habitual é a hormonioterapia. A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após discutir os riscos e benefícios do tratamento com o seu médico.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Mitos e verdades sobre o câncer de próstata.

O câncer de próstata acabará com a minha vida sexual?

Em alguns tipos de tratamentos para o câncer de próstata, as fibras nervosas que rodeiam a próstata e controlam a capacidade de ereção podem ser afetadas. A extensão desse comprometimento depende de uma série de fatores, como localização e tamanho do tumor e do tipo de tratamento realizado.

A capacidade de recuperar o controle da função erétil também depende da idade do paciente e se já apresentava problemas de ereção antes da cirurgia. A disfunção erétil anterior à cirurgia dificilmente regride após uma cirurgia de câncer de próstata. Muitos casos de disfunção erétil pós-tratamento podem ser acompanhados por um urologista. Converse com seu médico sobre os detalhes específicos de sua condição, incluindo as opções de tratamento e seus possíveis efeitos colaterais.

O câncer de próstata afeta apenas os homens idosos?


Embora seja verdade que o câncer de próstata é mais comum com o aumento da idade, os homens de todas as idades devem estar atentos aos fatores de risco pessoais e conversar com seus médicos para a realização de exames que permitam a detecção precoce da doença.

Aproximadamente 62% dos casos de câncer da próstata diagnosticados no mundo acometem homens com 65 anos ou mais.

Ter um PSA alto é o mesmo que ter câncer de próstata?


O antígeno específico da próstata (PSA) é uma substância produzida pela glândula.  Uma doença da próstata, inflamação ou trauma, podem fazer que maiores quantidades de PSA entrassem na corrente sanguínea do homem. O nível elevado de PSA no sangue tornou-se um importante marcador de muitas doenças da próstata, incluindo a hiperplasia prostática benigna, infecção da próstata e o câncer de próstata. Um PSA elevado não significa sempre que o câncer esteja presente, pode estar alterado devido, por exemplo, a uma infecção do trato urinário.

A decisão de realizar uma biópsia da próstata deve estar baseada não só no PSA e nos resultados do exame físico, mas deve também levar em conta outros fatores, incluindo a idade do paciente, histórico familiar, etnia, outros exames de PSA e doenças concomitantes.


Todos os casos de câncer de próstata necessitam de tratamento?


Nem todos os tipos de câncer de próstata requerem tratamento imediato. O tratamento do câncer de próstata depende da idade, da quantidade de células cancerígenas no tecido da biópsia, dos sintomas apresentados e do estado de saúde geral do paciente. Homens diagnosticados com câncer de próstata devem conversar com seu médico sobre a necessidade do tratamento. 

Alguns homens podem necessitar de tratamento ativo, que pode incluir: cirurgia ou radioterapia, outros são candidatos a uma vigilância ativa. A vigilância ativa é quando o médico monitora o paciente e a evolução (ou não) da doença ao longo do tempo, intervindo quando necessário. Antes de iniciar qualquer tratamento, converse com o seu médico sobre os riscos e benefícios para que você possa tomar uma decisão informada sobre o que é melhor para você.

A vasectomia causa câncer de próstata?

Estudos antigos sugeriram que a vasectomia aumentava o risco de desenvolver câncer de próstata. No entanto, estudos mais recentes mostram que a vasectomia não é um fator de risco para o câncer de próstata.


Não apresentar nenhum sintoma, significa não ter câncer de próstata?

Errado. O câncer de próstata é um dos cânceres mais assintomáticos, ou seja, nem todos os homens apresentam sintomas. Muitas vezes os sintomas podem ser confundidos ou atribuídos a outras patologias. 

Os sinais de câncer de próstata são frequentemente detectados pela primeira vez durante um check-up rotineiro. Os sintomas mais comuns incluem a necessidade de urinar com frequência, dificuldade em iniciar ou interromper a micção, fluxo fraco ou interrompido ao urinar, dor ou ardor, dificuldade para ter uma ereção, ejaculação dolorosa, sangue na urina ou no sêmen, dor frequente e rigidez na parte inferior das costas, quadris ou coxas. Se tiver qualquer um destes sintomas, não se esqueça de informar seu médico.

O câncer de próstata é um câncer de crescimento lento, por isso não devo ​​preocupar-me?

Existem diferentes tipos de câncer de próstata, alguns de crescimento muito lento e outros mais agressivos. Uma vez confirmado o diagnóstico de câncer na próstata, a partir dos dados do laudo do patologista, o médico tem condições de caracterizar o potencial de agressividade do tumor, fazer recomendações para o tratamento com base em vários fatores, incluindo a idade do paciente e seu estado de saúde geral. Existem muitos tipos de tratamentos disponíveis e uma abordagem não serve para todos os casos. Os pacientes precisam entender a complexidade da doença e tomar decisões em relação a seu tratamento em conjunto com seu médico de confiança.

Não existe histórico de câncer de próstata na minha família, logo minhas chances de ter a doença são mínimas?


Errado. Apesar de um histórico familiar de câncer de próstata dobrar as chances de serem diagnosticados, 1 em cada 6 homens serão diagnosticados com câncer de próstata em sua vida. Isso se compara a 1 em cada 8 mulheres serem diagnosticadas com câncer de mama. Os homens negros são 60% mais propensos a terem câncer de próstata e possuem 2,4 vezes mais chances de morrer da doença.

No entanto, o histórico familiar e genético desempenha um papel importante nas chances de um homem desenvolver um câncer de próstata. Um homem cujo pai teve câncer de próstata é duas vezes mais propenso a desenvolver a doença. O risco é ainda maior se o câncer foi diagnosticado em um membro da família em uma idade mais jovem (menos de 55 anos), ou se isso afetou três ou mais membros da família.

O exame PSA é específico para câncer?

Não. Os exames de PSA medem os níveis do antígeno prostático específico na próstata, não o câncer. O PSA é produzido pela próstata em resposta a uma série de problemas que possam estar presentes na próstata, incluindo uma infecção ou inflamação, o alargamento da próstata (hiperplasia benigna da próstata) ou, possivelmente, o câncer. 

O exame de PSA é o primeiro passo no processo de diagnóstico para o câncer. Ele faz a detecção da doença em estágios iniciais, quando é possível ser tratada. Especialistas acreditam que o exame de PSA salva a vida de aproximadamente 1 em cada 39 homens que realizam o exame.


 Um nível de PSA elevado significa ter câncer de próstata enquanto um baixo PSA significa não ter câncer de próstata?

Embora o câncer de próstata seja uma causa frequente de níveis aumentados de PSA, alguns homens com câncer de próstata apresentam níveis baixos de PSA. O PSA também pode estar baixo em homens com excesso de peso ou obesos e uma biópsia deverão ser considerados com um valor relativamente baixo (ou seja, 3,5 em vez de 4). Mais uma vez, os níveis elevados do PSA podem ser devido a outras condições clínicas.

A atividade sexual aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata?

Alguns estudos mostram que homens que relataram ejaculações mais frequentes tinham um risco menor de desenvolver câncer de próstata. Entretanto, a ejaculação por si só não tem sido associada ao câncer de próstata.

O câncer de próstata é contagioso?

O câncer de próstata não é uma doença infecciosa ou contagiosa. Isso significa que não há nenhuma chance da doença ser transmitida para outras pessoas.


O que os homens podem fazer sobre o câncer de próstata?

O primeiro passo para lidar eficazmente com o câncer de próstata é conhecer os fatos. Estudos recentes mostraram que decisões importantes quanto ao estilo de vida, como a manutenção de uma dieta saudável e a prática de exercício físico regular, como caminhar 30 minutos por dia, podem desempenhar um papel fundamental na redução do risco de contrair câncer de próstata e de sobreviver a ele se você tem a doença. Converse com sua família e amigos sobre o câncer de próstata e, se tiver mais de 40 anos, fale com o seu médico e planeje um programa de rastreamento.

O câncer de próstata é comum, mas atualmente poucos homens morrem dessa doença.

O câncer de próstata é o câncer que mais afeta os homens, após o câncer de pele. Segundo estimativas do INCA serão diagnosticados 60.180 novos casos em 2013. A mortalidade no mundo por esse tipo de neoplasia apresenta um perfil ascendente semelhante ao da incidência no Brasil, embora sua magnitude seja mais baixa. No entanto, a detecção precoce pode ser um salva-vidas contra o câncer de próstata.

Meu pai teve câncer de próstata, isso significa que eu também terei a doença?


A grosso modo, se um homem tem um parente de primeiro grau (pai ou irmão) com câncer de próstata, suas chances de ter a doença duplicam. Dois familiares de primeiro graus com câncer de próstata aumenta esse risco em cinco vezes. 

No entanto, nem todo mundo que tem um histórico familiar terá a doença. Mesmo assim, se existe um histórico de câncer de próstata em sua família, converse com seu médico sobre a periodicidade dos exames de PSA. E, caso seu médico seja mais agressivo e recomende a realização de biópsias, isso não significa que você definitivamente tem ou vá ter câncer de próstata.

Se o câncer de próstata voltar após o tratamento, significa que não haverá cura?

A recidiva do câncer de próstata pode ser do ponto de vista emocional devastador, especialmente se você já passou por exames de PSA, biópsias, diagnóstico, radioterapia e cirurgia, mas mesmo assim, a doença não tem que ser uma sentença de morte. Muitas vezes mostra que uma nova abordagem de tratamento deva ser iniciada, como a terapia hormonal ou outra terapia combinada.

Ter um PSA baixo significa não ter câncer?

Os níveis do PSA podem ser úteis no diagnóstico do câncer de próstata, mas eles são realmente apenas uma peça do quebra-cabeça. Assim como um número alto não significa necessariamente que você tenha a doença, um número baixo não significa que você não a tem. Para ter um quadro mais completo da saúde da sua próstata, você deve realizar: o PSA, o exame de toque retal e a biópsia da próstata. O exame de toque retal permite ao seu médico examinar a próstata e determinar se existe alguma alteração fora do normal. Dependendo dos resultados, ele também pode solicitar a biópsia de modo que as células possam ser examinadas ao microscópio.

O tratamento do câncer de próstata sempre causa impotência?

De acordo com pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association, cerca de metade dos homens com boa função sexual antes do tratamento do câncer de próstata ainda terá uma boa função após o tratamento. Entre os demais, alguns homens podem ter de moderada a grave impotência, mas a maioria tem apenas uma pequena perda da função sexual, que muitas vezes volta ao normal dentro de alguns meses a um ano após o tratamento. No entanto, a idade pode ser um fator complicador, e à medida que os homens envelhecem já têm algum comprometimento da função sexual. E o tratamento do câncer de próstata certamente não vai corrigir esse problema, mas também não é susceptível de torná-lo significativamente pior para a maioria.

O tratamento do câncer de próstata sempre causa incontinência urinária?

Assim, como com a função sexual, os homens também se preocupam com a incontinência urinária como uma consequência do tratamento do câncer de próstata. Cerca de 1 em cada 5 dos homens tratados de câncer de próstata tem incontinência urinária devido ao tratamento, e os pacientes mais jovens geralmente se saem melhor ainda, de acordo com uma pesquisa publicada no British Journal of Urology International. Se você já tem problemas de bexiga, provavelmente enfrentará incontinência urinária, que na maioria dos homens, é temporária ou tratável. Atualmente estão disponíveis melhores tratamentos para problemas de função sexual e incontinência urinária.

Buscar uma segunda opinião médica é falta de educação?

Buscar uma segunda opinião é bom senso. Você deve se sentir livre para pedir uma segunda opinião sobre seu diagnóstico, tratamento ou ambos.

O exame PSA beneficia principalmente os homens acima de 65 anos?

Apesar do PSA ser realizada principalmente em homens com mais de 65 anos, os homens que realmente se beneficiam do exame são os mais jovens. Se esses jovens levarem os resultados de seus exames a sério, fazendo a biópsia, e o tratamentos, têm grandes chances de cura.

O exame de toque retal não é necessário se eu fizer o exame PSA.

O exame PSA é mais eficaz quando feito junto com o exame de toque retal.

Um aumento da próstata é um sinal de câncer de próstata?

O aumento da próstata e o câncer de próstata são diferentes. Os sintomas incluem a incapacidade de esvaziar completamente a bexiga, a necessidade frequente de urinar durante a noite, e incontinência urinária. O aumento da próstata acontece com a maioria dos homens à medida que envelhecem e não aumenta o risco de câncer de próstata.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Alimentos perigosos para a próstata.

O câncer de próstata representa cerca de 4 em cada 10 cânceres que atingem a população masculina brasileira com mais de 50 anos de idade. É também o 2º câncer em causas de morte no Brasil. Não é suficiente apenas saber quais são os alimentos que podem prevenir a doença, mas também aqueles que fazem mal ou facilitam o seu desenvolvimento. Alguns itens da lista surpreendem porque aparentam não representar qualquer mal à saúde.

Veja o que você deve evitar colocar no prato daqui pra frente:

Carne vermelha


Estudos realizados pelo Instituto do Câncer nos EUA mostram que homens que consomem uma grande quantidade de carne vermelha têm 12% a mais de chance de desenvolver câncer de próstata do que homens que consomem pouca ou nenhuma. 

Carnes não orgânicas


Representando a maior parcela de carnes do mercado, as carnes não orgânicas também são perigosas. O uso de hormônios, remédios e esteroides aplicados nos animais causam mal à saúde como um todo e seu consumo devem ser controlados.

Cálcio e laticínios


Alto nível de cálcio adquirido através de laticínios está diretamente ligado ao desenvolvimento do câncer de próstata. A gordura e colesterol presentes nesses alimentos também são fatores agravantes. A Organização Mundial de Saúde fez um estudo em 2008 que revelou que os países que mais consomem carne vermelha e laticínios também são os países com maior incidência de câncer de próstata, com a Austrália liderando o ranking.


Industrializados feitos com tomate


Embora seja verdade que tomate é um excelente alimento na prevenção do câncer de próstata por conta do licopeno, você deve evitar produtos industrializados que são derivados do tomate, como os molhos. As latas contém bisfenol A, um composto que pode passar para o molho e causar danos à saúde em geral.

Pipoca de micro-ondas


Pipoca pode ser uma boa fonte de fibras, mas evite a versão para micro-ondas forro dos sacos contém produtos químicos, como o ácido perfluoroctanóico (PFOA) que pode estar associado com a infertilidade em seres humanos e também ao câncer em ratos de laboratório. Os cientistas temem que em altas quantidades o produto possa causar câncer em humanos.

Batatas não orgânicas


As batatas podem ser expostas a vários tipos de agrotóxicos e absorver herbicidas e pesticidas que fazem mal à saúde e contribuem para o desenvolvimento da doença, inclusive o de próstata. Você pode até lavar as batatas antes de consumi-las, mas o que foi absorvido não pode ser lavado- a única solução é comprar batatas 100% orgânicas.

Batata frita
 

As batatas fritas convencionais, ou as de fast food ou até as de salgadinho, são perigosas, pois são mergulhadas em gordura saturada e sal. Além disso, as batatas contém um aminoácido chamado asparagina que quando aquecido a altas temperaturas pode formar acrilamida, uma substância potencialmente cancerígena. 

Adoçantes


Todos os tipos – aspartame, sacarina, sucralose, qualquer espécie de adoçante é associado ao câncer e estão presentes em muitos alimentos industrializados, principalmente aqueles com rótulos diet/light.

Salmão de viveiro


Salmões criados especificamente para a venda são alimentados com soja e farinha de peixe, entre outros compostos para torná-los mais rosados e isso faz com que eles possuam menos vitamina D, ácidos graxos e o tão famoso ômega 3, em comparação com o salmão selvagem. Estes compostos possuem potencial cancerígeno e podem ser encontrados não só no salmão de viveiro, mas outras espécies de peixes também.

Açúcar


De acordo com Patrick Quillin, vice-presidente do centro de nutrição de uma instituição de tratamento de câncer nos EUA, o açúcar pode acelerar o crescimento das células cancerígenas por conta da glicose. Alimentos industrializados usam açúcar aos montes, a dica aqui é controlar a dieta.

Hábitos alimentares não são a única causa do câncer - fatores hormonais e ambientais, histórico familiar, sedentarismo e excesso de peso.

O que podemos concluir com certeza é que para ajudar na prevenção do câncer de próstata é necessário controlar a dieta e evitar gorduras de vários tipos, além de consultar seu médico periodicamente, afinal, quanto mais cedo descobrir o problema mais fácil será para curá-lo!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tire sete dúvidas sobre o diagnóstico do câncer de próstata.

O câncer de próstata é o mais incidente entre os brasileiros do sexo masculino, sendo o segundo câncer mais comum na população, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma.

São 60 mil novos casos estimados anualmente, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Nesse cenário, se faz de extrema importância a realização dos exames e o acompanhamento com o médico, principalmente aqueles que estão em grupo de risco para a doença.


Pensando nisso, especialistas tiraram as principais dúvidas sobre o diagnóstico do câncer de próstata, bem como os exames que precisam ser feitos a partir de qual idade:


Câncer de próstata afeta apenas homens idosos?

Não exclusivamente, mas principalmente. "A idade média é de 68 a 72 anos, mas pode ser encontrado em jovens - principalmente de etnia negra - ou em indivíduos com forte história familiar de câncer de próstata", explica o oncologista coordenador do Centro de Oncologia do Hospital 9 de Julho. Segundo o oncologista da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, cerca de 60 a 70% dos homens a partir dos 80 anos pode ter um câncer de próstata inicial.

Todo homem precisa fazer o exame de toque independente da idade?


Os homens precisam fazer o exame de toque anualmente a partir dos 50 anos, pois é a partir dessa idade que a incidência aumenta. "Antes desta idade o exame pode ser recomendado pelo médico para pessoas sintomáticas ou pessoas de alto risco para a doença, como obesidade e parentes de primeiro grau com o diagnóstico da doença", ressalta o oncologista Anderson. 

A recomendação atual da Associação Americana de Urologia é de que homens entre 40 e 54 anos sejam submetidos a avaliação prostática com PSA e toque retal se apresentarem fatores de risco para o câncer de próstata, caso contrário, a avaliação prostática de rotina deverá ser realizada em homens a partir dos 50 anos. 

Entretanto, homens em idade muito avançada - expectativa de vida abaixo dos 10 anos - que não apresentam sintomas e nunca tiveram diagnóstico para câncer de próstata podem receber dispensa do exame pelo médico, sob a justificativa de que o diagnóstico nessa idade pode não beneficiar o paciente, pois o tratamento poderá ser muito exaustivo e pouco efetivo para alguém cuja expectativa de vida já está baixa.
Um exemplo: um homem que já tem 90 ou 95 anos não se beneficia tanto do diagnóstico quanto um homem mais jovem, pois ele provavelmente morrerá por outras coisas relacionadas à velhice, e o tratamento para o câncer pode ser debilitante. Entretanto, tudo deve ser conversado adequadamente com um médico.

Não tenho sintomas urinários, preciso me preocupar com o câncer?

Sim, precisa. "O câncer da próstata em seu estágio inicial é assintomático, ou seja, não apresenta sintomas", ressalta o cirurgião oncologista Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Núcleo de Urologia. 

Quando os sintomas aprecem, significa que a lesão já se encontra em estágio mais avançado. Dificuldade para urinar, esforço urinário, hesitação urinária, instalação recente de disfunção erétil e sangue na urina ou no esperma são sintomas importantes para câncer de próstata. "Outros sintomas são, em casos mais avançados, dores ósseas, geralmente de difícil controle", afirma o oncologista Anderson.  

O exame de toque é a única maneira de diagnosticar o câncer de próstata?

Não. "O toque é parte importante do exame da próstata, porém pode ser falho", afirma o cirurgião oncologista. A investigação correta é feita com uma história clínica completa, dosagem de PSA, toque retal e ultrassom de próstata por via retal.

 "O PSA é uma proteína que a próstata normal pode produzir e o tumor de próstata produz em quantidade muito maior", explica o oncologista Anderson. Segundo o oncologista Fabio, esses exames conferem 95% de chance de um diagnóstico.

Se o PSA está normal não é necessário fazer o toque retal?

Você pode estar se perguntando: se o exame de toque pode ser falho e meu PSA está normal, porque seguir nessa avaliação? Segundo o oncologista Fabio, de 24 a 40% dos tumores não apresentam altas dosagens da proteína PSA, não sendo detectados pelo exame - mas podem ser pelo toque. 

"O exame de toque retal também nos dá informações adicionais sobre a próstata, mesmo que não relacionado à doença maligna, como a hiperplasia prostática benigna", afirma o urologista. Além disso, o exame de toque também possibilita encontrar pólipos e fazer retirada de pele para biópsia.

O câncer de próstata é sempre grave?

A gravidade da doença varia com sua extensão. Quanto mais extensa a doença mais grave é o seu prognóstico, afirma o oncologista Anderson. Quando diagnosticado e tratado no início, tem os riscos de mortalidade reduzidos. 

"Entretanto, quando diagnosticado em estágio metastático, ou seja, que já se propagou para outros órgãos, as chances de cura são mais baixas", explica o urologista. Os especialistas explicam que cada caso é um caso mas, uma vez feito o diagnóstico, é necessário o acompanhamento próximo com o médico e busca do tratamento mais adequado para o paciente. 

No Brasil, o câncer de próstata é a quarta causa de morte por câncer, correspondendo a 6% do total de óbitos desse grupo. Por isso é muito importante fazer os exames regularmente e ficar atento aos sintomas.

É possível fazer uma prostectomia preventiva?

A realização de uma prostectomia "preventiva" não é indicada em nenhuma situação. 

"Atualmente existem pesquisas buscando marcadores genéticos de mau prognóstico que poderiam auxiliar na condução de casos de neoplasia maligna da próstata em fase inicial, mas na ausência de malignidade não há indicação de extirpar a próstata", afirma o urologista Ravendra. Além disso, a retirada da próstata pode envolver uma série de efeitos indesejáveis, como incontinência urinária, disfunção erétil e impotência. 

"Não existe nenhuma evidência científica que justifique qualquer procedimento profilático para evitar o câncer de próstata", explica o oncologista Fabio. Além disso, afirma o cirurgião oncologista Gustavo, boa parte dos pacientes com tumores na próstata poderão ser tratados de outras formas que não a cirurgia, como radioterapia ou HIFU (ultrassom focalizado de alta frequência).

Fonte: Minha Vida

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Preconceito x Câncer de Próstata.


O que a medicina atesta como uma forma de diagnóstico precoce protetora da saúde masculina, os homens ainda enxergam como um mecanismo que “fere a masculinidade” e causa uma experiência dolorida.

As visões desiguais sobre o toque retal e os exames preventivos do câncer de próstata são alimentadas pelo preconceito e mantêm o tumor no órgão como o mais numeroso do universo masculino.


Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os 60.180 novos casos de câncer de próstata registrados anualmente lideram o ranking de ocorrência entre os homens brasileiros, sendo 3,4 vezes mais numerosos do que os 17.200 registros de câncer de traqueia e pulmão, que ocupam o segundo lugar na lista de incidência.

Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia, feita com os pacientes, atestou que até eles reconhecem os problemas provocados pela resistência em cuidar da saúde: 87% apontam o preconceito com os exames retais como o fator que mais atrapalha a prevenção da doença.

Para tentar reverter este cenário, o médico Fernando Maluf – coordenador do Centro Oncológico do Hospital São José – organizou um fórum sobre o câncer de próstata no primeiro final de semana de março.
Além de atualizações sobre tratamentos e técnicas de detecção da neoplasia, foram feitos debates com os próprios pacientes, familiares e público leigo em geral para traçar estratégias de vencer a distância entre os homens e os cuidados clínicos.



“Se os homens não tivessem este preconceito com os exames da próstata seria possível mudar, com grande potencial, o cenário da doença atual”, afirmou Fernando Maluf.

“Ainda há uma visão deturpada de que o toque retal causa dor, desconforto e afeta a masculinidade, o que é um erro. Com isso, uma parte significativa dos pacientes só procura auxílio médico quando os sintomas já indicam situação avançada da doença (como dor ao urinar e sangue na urina)”, alerta o especialista.

Todos envolvidos

Além da conscientização do público masculino, os especialistas consideram primordial que médicos de todas as especialidades – não apenas os urologistas – estejam envolvidos. A ideia é que cardiologistas, nutricionistas, psiquiatras e clínicos gerais estejam atentos aos sinais e incentivem a realização do exame, que deve ser feito a partir dos 45 anos.

A contribuição geral das várias áreas médicas pode ser resumida pelas pesquisas feitas pela nutricionista Ludmilla Eler. De acordo com os estudos apresentados por ela, a alimentação pode ser protetora da saúde da próstata.


“Existem alimentos protetores que atuam diretamente no controle da dosagem da testosterona – hormônio masculino que, em quantidade elevada, pode aumentar o risco de câncer de próstata”, afirma.

“Entre eles estão a soja, que pode ser consumida de uma a duas porções ao dia, como leite de soja ou pão com soja. Podemos citar também a semente de linhaça que é rica em ômega 3, um antioxidante rico em uma fibra chamada lignana.”

A melhor forma de consumir a linhaça é colocar até quatro colheres de chá por dia em sucos e frutas.