segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Obesidade e câncer. Afinal, existe alguma relação?

A pesquisa do Ministério da Saúde revelou um dado alarmante: 51 % dos brasileiros estão acima do peso ideal, quando o índice em 2006 era de 43%. O mesmo estudo indicou também que a obesidade cresceu no país, atingindo 17% da população.



Esta é a primeira vez que o percentual de pessoas com excesso de peso é mais que 50% da população brasileira.

E qual a razão do excesso de peso na população brasileira? Existe relação entre a obesidade e o risco de câncer? Embora a obesidade esteja relacionada a fatores genéticos é fortemente influenciada por hábitos alimentares e sedentarismo e, embora muitos não saibam, é sim um fator de risco importante para o câncer e outras doenças crônicas que vêm, crescentemente, atingindo os brasileiros.

O Portal Oncoguia conversou com a médica endocrinologista, Dra. Vânia, sobre a relação entre a obesidade e o câncer e a importância vital do país educar a população para a saúde.

A médica explicou qual o conceito de prevenção do câncer relacionado à obesidade e apontou que a estratégia deve ser traçada desde a vida intrauterina de qualquer pessoa:


Confira a entrevista e multiplique a informação!

Instituto - Qual a relação entre obesidade e câncer?

Dra. Vânia - Nós vemos que existe essa questão: enquanto temos a obesidade, temos alguns mecanismos de resistência à insulina presentes (mas não é toda a obesidade que tem resistência à insulina). A obesidade traz dois aspectos, a inflamação e a insulina alta, os dois juntos ou cada um separadamente.

Instituto - Esses são gatilhos para a promoção do câncer?

Dra. Vânia - Sim. Esses dois elementos são gatilhos para a multiplicação celular e para a promoção de câncer. A obesidade é, então, um fator adicional para a incidência do câncer. Os tumores da parte intestinal, mama e próstata são muito mais incidentes em pacientes com obesidade. Os tumores hormônio dependentes também.

Instituto – Por quê?

Dra. Vânia - A célula adiposa produz hormônios e modifica os esteroides sexuais, que vão com uma informação trópica ao nível de insulina, que é um fator de crescimento. Na obesidade nós temos fígado com sobrecarga de gordura, sistema hepático congestionado, inflamação dos adipócitos e, em geral, alteração na microbiota intestinal, ou composição da flora intestinal (também modificando os metabólitos finais da detoxicação dos hormônios, ou seja, nosso sistema de eliminação de hormônios também sofre). Vale lembrar que temos a microbiota através da amamentação e, na vida, nós vamos modificando-a com as ‘bobagens’ que ingerimos, como o açúcar, o refrigerante (...). Nesse contexto vamos criando uma microbiota viciada, que se alimenta desses elementos e vai fermentando a dieta e trazendo uma modificação na metabolização dos hormônios. Essa obesidade, com microbiota alterada, insulina alta e congestão hepática, traz um conjunto que culmina em modificações promotoras do câncer ou de um sistema que não traz saúde hormonal.

Instituto - Em que consiste a prevenção relacionada à obesidade e doenças neoplásicas?

Dra. Vânia - A ideia é: o aumento de nutrientes essenciais e redução de carga glicêmica. O que é comer com pouca carga glicêmica? É reduzir o volume da refeição, comendo pouco e mais vezes; comer mais verduras e vegetais coloridos do que guloseimas refinadas (trocar farináceos por vegetais); consumir carnes com cozimento lento, ou seja, carnes brancas, e reduzir o consumo de carnes vermelhas para no máximo uma vez por semana; comer nada frito superaquecido ou torrado (alimentos inflamatórios) e tomar pouquíssimo álcool, apenas o consumo social (até duas ou três taças de vinho por semana). Vale lembrar, sobre o consumo de frutas, que não se pode abusar, por conta do índice glicêmico alto. São três frutas coloridas ao dia.

Instituto - É mesmo uma proposta de reeducação alimentar, certo Dra. Vânia?

Dra. Vânia - Eu estou falando aqui em educação ao modelo de desejo para se optar pela saúde e não para a gula. Isso porque, quanto mais se come errado, mais se quer comer errado. E quando se entra no trem da saúde, dificilmente se quer descer!

Instituto - Segundo pesquisa Datafolha encomendada pelo Instituto e a American Câncer Society mostrou que o brasileiro desconhece a relação entre obesidade e câncer, como à senhora acha que se pode sanar este desconhecimento?

Dra. Vânia - Eu acho que tem melhorado esse nível de conhecimento. Eu, que não sou da área da oncologia, dou aulas na oncologia clínica e na psico-oncologia sobre prevenção, nutrição e medicina personalizada há cinco ou seis anos. Isso é um elemento que mostra que a conscientização sobre a prevenção vem surgindo hoje. E há outros sinais importantes, como ações da entidade civil, como as de vocês. Nos congressos médicos isso também vem surgindo. Mas é um evento em construção (...) sabemos que a medicina brasileira é pontuada em medicalização. A saúde brasileira não é educadora. Nós somos médicos que tratamos doenças e, com isso, a prevenção é uma área nova na saúde. E saliento que é uma área que dá trabalho! Ela é transdisciplinar.  É por isso que estou aqui, falando com vocês, do Instituto Oncoguia: é uma responsabilidade médica e social que assumo. É desse jeito que plantamos um conhecimento sobre a promoção da saúde.


Instituto – Como à senhora vê o panorama do aumento da obesidade no país?

Dra. Vânia - A obesidade tem aumentado no Brasil e isso está acontecendo mais precocemente. Nosso papel, em termos de ação médica, de controle de obesidade e diabetes ainda é frustrante. Nos últimos cinco anos a área da endocrinologia tem se mobilizado mais em termos de campanhas. Há também dois programas que vem sendo desenvolvidos pelo Governo Federal, o Meu Prato e o Meu Pratinho, para que se tenha a consciência do 'tamanho do prato' que se deve fazer (esse segue a ideia da Michelle Obama), além da questão do prato colorido. Mas são ideias que estão começando a ser desenvolvidas. O que temos hoje é um panorama muito frustrante.

Instituto - Uma boa alimentação desde a infância é fundamental para o desenvolvimento da criança, a senhora acha que esse é o caminho mais adequado para um futuro com menos obesos no Brasil?

Dra. Vânia - Sim, com certeza. Mas vou um pouco além: A boa alimentação que previne a obesidade e o câncer deve começar desde o período intrauterino. Grande parte dos tumores acontece por informações de alterações de metilação no período intrauterino. Então, a gestante não pode engordar. Aliás, ela deve comer se possível, alimentos orgânicos. Uma gestante que ingere muitos alimentos com índices glicêmicos altos, como batata frita, banana frita, pastel (...) não dá! não pode! E na primeira infância a gente planta saúde; isso se chama Janela de Oportunidade para a Construção da Saúde Metabólica. A saúde metabólica do indivíduo determina um potencial maior de não promover tumores.

Instituto - E a adolescência, é também um período determinante para a construção da saúde?

Dra. Vânia - Absolutamente! Nesta fase se tem aumento de hormônios sexuais (...) e acrescentando-se a isso à insulina alta de uma dieta 'trash' e os poluentes ambientais, tem-se um terreno fértil para o câncer. A adolescência deve ser um foco fundamental de educação em saúde, para que não haja aumento de peso. Com todo esse ambiente hormonal, é a fase onde se pode acordar o potencial genético do câncer.

Instituto - Para terminarmos, qual a diferença entre nutricionista e nutróloga?

Dra. Vânia - O nutrólogo é o médico que conhece a nutrição e as doenças, em termos de recursos do uso e limite de alguns nutrientes e compostos químicos (por exemplo, a proporção da dieta em determinadas doenças). O nutricionista vai, na prática, prescrever a dieta enquanto o nutrólogo prescreve proporções. Por exemplo, a um paciente com insuficiência renal, diabetes e câncer, nós, nutrólogos, escolhemos a proporção de macro e micro nutrientes e pedimos para que o nutricionista nos dê apoio, indicando os alimentos. É claro que essa parceria é o melhor retrato em termos de eficácia clínica.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O cigarro é muito pior do que se pensa.

Fumar aumenta em 61% o risco de morte em pacientes com câncer de próstata, se comparados a não fumantes que têm a doença. Os cientistas também descobriram que o tabaco eleva em 61% o risco de reincidência desse tipo de câncer.


Segundo dados do Ministério da Saúde, o câncer de próstata é a segunda neoplasia de maior incidência entre os homens brasileiros, ficando atrás apenas do câncer de pele, e o segundo tipo de tumor mais letal entre eles.

O estudo contou com a participação de 5.366 homens diagnosticados com câncer de próstata entre 1986 a 2006. A pesquisa concluiu que os pacientes que fumavam tinham até 61% mais chances de morrer da doença do que os pacientes não fumantes. O estudo também concluiu que, entre os fumantes, o estágio do tumor era mais avançado no momento do diagnóstico.

Segundo os autores do estudo, os homens que tinham parado de fumar há mais de 10 anos ou os que, nos últimos 10 anos, vinham fumando menos de 20 maços por ano, responderam ao tratamento de modo semelhante aos que nunca haviam fumado.

Isso acontece porque alterações hormonais provocadas pelo cigarro podem predispor a agentes carcinogênicos, o que explica a ocorrência de cânceres mais agressivos, como o tumor de próstata, que leva à morte aproximadamente 12 mil pessoas por ano. Os médicos alertam que todos os pacientes oncológicos devem parar de fumar. Isso porque o cigarro é fator de risco para, pelo menos, nove tipos de câncer.

O cigarro também afeta a sua saúde mental



Além de agravar o quadro de vários tipos de câncer, a exposição à fumaça do cigarro pode aumentar os riscos de uma doença psiquiátrica, mesmo entre aqueles que não fumam. Avaliando os níveis de cotinina na saliva, substância indicadora de exposição ao fumo, de 5,5 mil não fumantes e 2,7 mil fumantes sem histórico de doenças mentais, os especialistas descobriram que uma maior exposição ao cigarro estava associada a 50% mais chances de relatar sofrimento psicológico. 

Os riscos de desenvolver, futuramente, doença psicológica também aumentavam devido à maior exposição ao cigarro, seja ela direta ou indireta.

Os pesquisadores disseram que, com os grandes avanços em relação às leis de restrição do tabagismo em locais públicos, a exposição ao fumo passivo em casa está crescendo. E o novo estudo, indica que, além dos péssimos efeitos físicos do tabagismo no organismo, deve haver uma maior preocupação com a saúde mental daqueles que convivem com fumantes.  

Outro estudo no Canadá descobriu que a fumaça dos cigarros dos outros está por trás de 40% dos casos de sinusite crônica nos Estados Unidos. Além disso, no ano passado, a exposição ambiental ao tabaco foi reconhecida como significativa colaboradora para elevar os índices de mortalidade cardiovascular, que chegam a mais de 50 mil por ano nos Estados Unidos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Seus aliados na prevenção do câncer.

Toda vez que nós inalamos o oxigênio presente no ar que respiramos, ele faz o seguinte trajeto: penetra pelos nossos pulmões e, através do sangue, chega até o interior de nossas células. O que acontece com esse oxigênio a partir daí? Bem, este oxigênio é utilizado para a respiração celular, isto mesmo, nossas células também "respiram", seus "pulmões" são chamados de mitocôndrias, e graças a esse processo, nós conseguimos produzir energia e sobreviver na natureza. Por isso, somos chamados de seres aeróbicos e só continuamos vivos pela presença do oxigênio em nossas células.


Contudo, após este processo de respiração celular ocorrer, aproximadamente 2% deste oxigênio é transformado em um grupo de substâncias chamado de espécies reativas tóxicas do oxigênio, também conhecidas como radicais livres.

Como o próprio nome sugere, elas podem "intoxicar" nossas células? Infelizmente sim, pois estes radicais livres podem atacar as membranas das células e causar um estrago que eu compararia a "enferrujar" (oxidar) as células, prejudicando o funcionamento delas. Mas, fique calmo, pois como diz o ditado, Deus dá o frio conforme o cobertor. 

Dentro das nossas células também temos a capacidade de produzir um antídoto para “anular” os efeitos danosos destes famigerados radicais livres. Estes heróis que nos protegem são chamados de enzimas antioxidantes que anulam os efeitos destes vilões. Mas, a matéria prima que nossas células necessitam para a produção destas enzimas protetoras são alguns nutrientes específicos, sendo eles: vitamina C, vitamina E, selênio, manganês, zinco, riboflavina, betacaroteno e outros menos importantes.


Mas o que pode ocorrer se houver um desequilíbrio entre a produção exagerada de radicais livres e uma produção menor de enzimas antioxidantes?  

A preocupação da ciência com esta possibilidade é tão grande que surgiu uma área de estudo específica para compreender melhor este tema, chamada de “oxidologia”, que estuda as causas e os efeitos da "oxidação" excessiva das nossas células e suas repercussões na saúde humana. 

E sabe quais as conclusões? Vamos enumerá-las abaixo:

- Ataque ao DNA das células levando ao risco aumentado de câncer.

 - Oxidação excessiva do colesterol, que, quando oxidado, aumenta a chance de entupir nossos vasos sanguíneos e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e derrames cerebrais.

- Degeneração de uma região do globo ocular chamada de mácula, aumentando o risco de perda da visão progressiva, mais comum em idosos (Degeneração Macular).

- Oxidação excessiva dos neurônios podendo aumentar o risco de doenças degenerativas cerebrais como Alzheimer e Parkinson.

Sem querer ser alarmista vou jogar mais uma lenha nesta fogueira: não só o oxigênio que entra nas nossas células leva a produção dos radicais livres. 

Outros fatores também podem elevar a produção dos mesmos, de maneira secundária: irradiações ionizantes, infecções, diabetes descompensado, Síndrome Metabólica, intoxicações por metais tóxicos (chumbo, alumínio, mercúrio, arsênico, cádmio, etc), agrotóxicos, tabagismo, excesso de atividade física, alimentação excessiva em gorduras (inclusive a trans) e açucares simples. 

Fica a questão: se eu me exponho à um somatório de vários fatores desencadeadores da elevação dos radicais livres dentro do meu organismo como me defender dos estragos do seus excessos? 

Obviamente aumentando a oferta de matéria prima para que nossas células aumentem a produção das enzimas antioxidantes (os heróis citados acima no texto) e temos então uma chance de diminuir o stress oxidativo que tanto nos deixa vulneráveis.

Aonde encontrá-las?

Veja como é fácil: 

- Vitamina C: laranja, limão, tangerina, acerola, goiaba, kiwi, camu-camu.



- Vitamina E: óleos vegetais (azeite extra virgem, canola, linhaça, entre outros), gérmen de trigo, abacate, óleos de peixe, gema de ovo.


 - Selênio: oleaginosas (castanhas, amêndoas, avelãs, amendoins), peixes como salmão.


 - Manganês: cereais integrais, legumes, castanhas.


 - Zinco: carnes magras, aves e peixes, ostras, iogurtes desnatados, cereais integrais, germe de trigo.


- Cobre: nozes, frutas secas, cereais, leguminosas (ervilha, soja, grão-de-bico, feijões, lentilhas).


 - Betacarotenos: cenoura, tomate, manga, abóbora, gema de ovo.


- Compostos bioativos: alface, agrião, rúcula, couve, espinafre, berinjela, mirtilo, uva rôxa, cenoura, tomate, cúrcuma, chá verde, brócolis, alho, alho-poró, cebola, cogumelos comestíveis, maçã (com casca), pó de cacau, acelga, beterraba, salsinha, pimentão vermelho, couve-flor, entre outros.


Fica também um alerta: doses altas de antioxidantes podem fazer efeito contrário, ou seja, se tornam pró-oxidantes, e o tiro sai pela culatra. Se entupir de cápsulas de vitaminas e minerais em doses altas acreditando ficar protegido pode ser uma grande ilusão e piorar sua saúde. 

Temos os alimentos corretos. Basta saber utilizá-los a nosso favor. Qual o ponto de equilíbrio?

Evite os fatores (modificáveis) que desencadeiam o aumento do stress oxidativo (vide acima) e tenha uma alimentação adequada em antioxidantes. Faça atividade física leve a moderada regularmente, sob supervisão profissional e visite seu médico periodicamente para avaliar sua saúde e fazer exames de rotina. 


Essas medidas costumam ser infalíveis, sendo a prevenção ainda o melhor remédio. Siga a dieta do bom senso.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A alimentação para os diabéticos.

O diabetes mellitus é uma alteração no metabolismo da glicose causada pela deficiência na produção ou na ação da insulina – hormônio responsável pela diminuição da taxa glicêmica no sangue. Para pessoas com a doença, a ingestão exagerada de alguns alimentos pode ser um perigo. Uma dúvida bastante comum entre elas é sobre como criar e manter uma dieta saudável.


As recomendações nutricionais para esses indivíduos não são tão diferentes da população em geral. A pirâmide alimentar é um guia com o objetivo de propiciar uma noção de proporcionalidade entre os grupos alimentares e a quantidade dos alimentos que devem ser consumidos ao longo do dia. Uma alimentação equilibrada é aquela que contém todos os nutrientes: carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas, fibras vegetais e água (veja abaixo a descrição de cada um deles).

- Dicas para uma boa alimentação

- Para evitar episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia, faça o fracionamento da dieta, fazendo de cinco a seis refeições ao dia, a cada três horas, com alimentos variados em pequena quantidade.

- Realize as refeições em local tranquilo, mastigando bem os alimentos. A boa mastigação contribui para uma boa digestão e melhor saciedade.

- Comece a refeição sempre pela salada para aumentar a saciedade, varie os tipos de verduras, legumes e frutas.

- Evite tomar líquidos durante as refeições, mas mantenha a boa hidratação, consumindo em média dois litros de água por dia - se não houver nenhuma restrição.

- Evite frituras e alimentos gordurosos. Prefira assados, grelhados e cozidos.

- Atenção ao consumo de sal! Tempere os alimentos com temperos naturais. Eles realçam o sabor e dão cor aos alimentos, além de enriquecer o valor nutricional.

Entenda abaixo o papel de cada grupo de alimentos.

Carboidratos


O grupo dos carboidratos, que são os alimentos energéticos, inclui pães, cereais, arroz, massas, farinhas, biscoitos integrais, batata, mandioca, frutas e açúcares de modo geral. Estes alimentos devem representar aproximadamente 50% do total diário de calorias e constituem a base da alimentação. 

Entretanto, a preferência no momento da escolha deste grupo deve ser por alimentos ricos em fibras, como pães, arroz e cereais integrais, além de frutas frescas, vegetais e leguminosas que exercem importante papel no controle da absorção dos carboidratos. Também é importante evitar os açúcares simples, doces, mel e refrigerantes, pois são alimentos que favorecem o aumento da glicemia (hiperglicemia) no organismo.

Proteínas


As proteínas ajudam na construção, reparação e formação dos tecidos, ossos, pele e cartilagens, e devem representar de 15 a 20% do total diário de calorias. São divididas em dois grupos: proteínas de origem animal, encontradas nas carnes bovina, suína, pescados, aves, leite e derivados, e as proteínas de origem vegetal encontradas em frutas oleaginosas, amendoim, nozes, castanhas, lentilha, soja e seus derivados, feijão, grão de bico, lentilha e ervilha. As proteínas favorecem o melhor controle glicêmico.

Gorduras


Contrariando o pensamento de muitas pessoas, as gorduras também possuem a sua importância em uma alimentação equilibrada, pois tem a função de fornecer energia. Representando de 25 a 30% do total diário de calorias, o ideal é priorizar óleos vegetais de boa qualidade como o azeite de oliva, óleo de canola, milho e girassol, e ainda evitar o consumo de gorduras hidrogenadas e saturadas.

Fibras


As fibras pertencem ao grupo dos carboidratos, mas não são absorvidas e digeridas como os demais de sua referida classe. A recomendação no consumo é de no mínimo 20g/dia e possui a função básica de auxiliar o funcionamento intestinal e tornar a absorção da glicose mais lenta, contribuindo no controle glicêmico. 

Para melhorar o papel das fibras, é essencial proporcionar hidratação adequada, por este motivo é de grande importância o consumo de água ao longo do dia.

As fibras são classificadas em: solúveis - encontradas em frutas, vegetais, leguminosas e farelos como o de aveia - que contribuem para o retardo do esvaziamento gástrico; e insolúveis - contidas em alimentos vegetais como grão de milho, soja, grão de bico, feijão, lentilha, ervilha e frutas com casca - que aumentam a saciedade, melhorando o controle do apetite.

Alimentos funcionais


Os alimentos funcionais são aqueles que contribuem com os efeitos metabólicos benéficos à saúde, além de suas funções nutricionais básicas. Este efeito acontece quando estes alimentos são consumidos como parte de uma dieta usual, podendo desempenhar um papel potencialmente benéfico na redução do risco de doenças crônicas degenerativas. 

Porém, para que seus benefícios sejam alcançados, é necessário que o consumo seja regular. A indicação é a inclusão de vegetais, frutas, cereais integrais na alimentação regular, já que boa parte de todos esses componentes estão nesses alimentos. Outra dica é substituir em parte o consumo de carnes vermelhas e embutidos por carne branca, em especial os peixes ricos em ômega 3.

Vitaminas e minerais


Em relação às vitaminas e minerais, a recomendação é o consumo de duas a quatro porções de frutas, sendo pelo menos uma rica em vitamina C (frutas cítricas) e de três a cinco porções de hortaliças cruas e cozidas, além de, sempre que possível, dar preferência aos alimentos integrais. É importante ressaltar que não há evidência de benefícios sobre o uso de suplementação de minerais e vitaminas em pessoas com diabetes mellitus que não apresentem deficiências.


Diferença entre diet e light


Para evitar engano na hora da compra, vale salientar a importância da diferença entre produtos diet e light. Produtos diet são aqueles que têm exclusão de algum nutriente específico, como por exemplo, o açúcar. Nem todos os produtos diet apresentam quantidade significativa na redução de calorias. Já os produtos light apresentam redução mínima de 25% em alguns dos seus nutrientes ou na quantidade total de suas calorias em relação aos produtos tradicionais.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Cuidado com os alimentos que contribuem para o câncer.

Maus hábitos alimentares estão diretamente relacionados com essa estatística. A vida moderna, cada vez mais agitada, dificultou o velho (e bom) hábito de preparar os próprios alimentos e deu lugar aos alimentos prontos para consumo ou de fácil preparo.

O nutricionista Fábio Gomes, do INCA, explica que muitos alimentos possuem fatores mutagênicos, ou seja, lesam as células humanas e alteram o material genético que existe dentro dela. "Esse processo leva a uma multiplicação celular muito maior do que o normal e, em consequência, pode aparecer um tumor". Muitos desses alimentos não apresentam qualquer benefício à saúde e podem ser facilmente riscados do cardápio. 

E quais são e modere no consumo dos alimentos que predispõem a doença? Confira.

Carnes processadas


Linguiça, salsicha, bacon e até o peito de peru contêm quantidades consideráveis de nitritos e nitratos. Essas substâncias, em contato com o estômago, viram nitrosaminas, substâncias consideradas mutagênicas, capazes de promover mutação do material genético. 

"A multiplicação celular passa a ser desordenada devido ao dano causado ao material genético da célula. Esse processo leva à formação de tumores, principalmente do trato gastrointestinal", explica Fábio Gomes.
A recomendação do especialista é evitar esses alimentos, que não contribuem em nada com a saúde.

Refrigerantes


A bebida gaseificada, além de conter muito sal em forma de sódio, possui adoçantes associados ao aparecimento de câncer. O ciclamato de sódio, por exemplo, é proibido nos Estados Unidos, mas ainda é utilizado no Brasil, principalmente em refrigerantes "zero". "Essa substância aumenta o risco de aparecimento de câncer no trato urinário", conta Fábio Gomes.

Quanto aos adoçantes que podem ser adicionados à comida ou à bebida, o nutricionista diz que ainda não há comprovação científica. "O ideal é que o adoçante seja usado de forma equilibrada, pois é um produto destinado a pessoas com diabetes e não deve ser consumido em excesso pela população em geral", aponta.

Alimentos gordurosos

Fábio Gomes explica que não é exatamente a gordura a principal responsável pelo aparecimento de câncer, e sim a quantidade de calorias que ela agrega ao alimento. A comida muito gordurosa é densamente calórica, ou seja, tem mais que 225 calorias a cada 100 gramas do alimento. "Por esses alimentos geralmente serem pobres em nutrientes, é preciso ingeri-los em grandes quantidades para obter saciedade, o que leva ao superconsumo", conta o nutricionista do INCA.

Em excesso, esses alimentos provocam obesidade, que é fator de risco para câncer de pâncreas, vesícula biliar, esôfago, mama e rins. A célula de gordura libera substâncias inflamatórias, principalmente hormônios que levam a alterações no DNA e na reprodução celular, como o estrogênio, a insulina e um chamado de fator de crescimento tumoral.  

Alimentos ricos em sal



"Se ingerido em quantidade maior do que cinco gramas por dia, o sal pode lesar as células que estão na parede do estômago", explica o nutricionista, do Instituto do Câncer de São Paulo. Essa agressão gera alterações celulares que podem levar ao aparecimento de tumores.

Procure evitar alimentos ricos em sal ou mesmo aqueles que usam sal para aumentar o tempo de conservação, como os congelados e os comprados prontos que só precisam ser aquecidos.
Entram nessa lista: carne seca, bacalhau, refrigerantes, pizzas congeladas, iscas de frango empanadas congeladas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, entre outros.

Churrasco

Na fumaça do carvão há dois componentes cancerígenos: o alcatrão e o hidrocarboneto policíclico aromático. "Ambos estão presentes na fumaça e impregnam o alimento que é preparado na churrasqueira", explica Fábio Gomes. "Eles também possuem fatores mutagênicos que levam ao aparecimento de tumores." 

Dieta pobre em fibras


O nutricionista explica que o intestino se beneficia muito pelo consumo adequado de fibras. Elas garantem um bom trânsito intestinal, de modo a eliminar os ácidos biliares secundários, um produto da digestão presente no intestino. Isso evita a agressão às células do intestino e a multiplicação celular descontrolada.

Preparo com altas temperaturas

Alimentos fritos ou grelhados também incorporam algumas substâncias cancerígenas. Ao colocar o alimento cru em óleo ou chapa muito quente (com temperatura aproximada de 300 a 400°C), são formadas aminas heterocíclicas - substâncias que contêm fatores mutagênicos e estimulam a formação de tumores.

O nutricionista Fábio recomenda preparar as carnes ensopadas - modo de cozimento em que não há nenhuma formação de aminas-, ou ainda prepará-las no forno. Dessa maneira, a temperatura do alimento aumenta gradualmente e não chega a níveis tão altos.

Alimentos com agrotóxicos

Não existe uma forma eficiente de limpar frutas, verduras e legumes dos agrotóxicos. "Muitas vezes, esses conservantes são aplicados nas sementes e passam a fazer parte da composição do alimento", aponta Fábio Gomes. Ele explica que o agrotóxico provoca vários problemas de saúde em quem tem contato direto com esses alimentos, mas ainda está em estudo a sua real contribuição com o aparecimento do câncer.

Como ainda existem dúvidas sobre esses efeitos, o nutricionista orienta evitar opções ricas em agrotóxicos. É melhor consumir alimentos cultivados sem o produto químico, que comprovadamente têm mais vitaminas, minerais e compostos preventivos. "Estes compostos atuam na proteção e reparação celular frente a uma lesão que pode gerar câncer", afirma.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Potássio – O aliado das mulheres contra o AVC.

Consumir alimentos ricos em potássio, como a banana, o feijão e o espinafre, pode ajudar mulheres a evitar um acidente vascular cerebral (AVC), segundo uma nova pesquisa.


O estudo acompanhou mais de 90000 mulheres de 50 a 79 anos durante onze anos. Os pesquisadores cruzaram os dados sobre a prevalência de derrame cerebral entre as participantes e a quantidade de potássio que havia na alimentação delas.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de pelo menos 3 500 miligramas de potássio por dia. As participantes do estudo, porém, ingeriam, em média, 2 600 miligramas do nutriente diariamente. Em 100 gramas de banana prata ou de extrato de tomate, é possível obter 358 miligramas e 680 miligramas de potássio, respectivamente.


Segundo os resultados da pesquisa, as mulheres que consumiam mais potássio (3 193 miligramas por dia ou mais) foram 12% menos propensas a sofrer um AVC do que as que comiam as menores quantidades do nutriente (menos de 1 925 miligramas ao dia). Além disso, elas tiveram um risco 10% menor de morrer ao longo do estudo por qualquer causa.

A pesquisa ainda indicou que os benefícios do potássio são maiores em mulheres que não têm pressão arterial elevada. Entre elas, um maior consumo de potássio evitou até 21% dos casos de AVC. "Nossos resultados dão mais um motivo para que as mulheres comam frutas e vegetais, já que esses alimentos são boas fontes de potássio", diz a coordenadora do estudo.

Segundo a Associação Americana do Coração, idosos e pessoas com problemas nos rins precisam tomar cuidado com o excesso de potássio. Por isso, quem deseja tomar suplementos do nutriente deve consultar um médico para saber a quantidade correta a ser ingerida.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Bons hábitos alimentares que fazem o câncer passar longe.

A alimentação adequada, o controle do peso e a prática regular de atividade física podem ser capazes de prevenir 30% dos casos de câncer no Brasil.

Alimentação 


O consumo de alimentos com alta densidade energética aumenta no Brasil e no mundo e, provavelmente, causa a obesidade. Esses alimentos têm mais de 225 calorias por 100g. Refrigerantes e refrescos, biscoitos recheados, alimentos do tipo “fast food” e semiprontos estão na lista. 

Já a carne vermelha deve ser consumida apenas duas vezes na semana, em torno de 300g (dois bifes), devido ao elevado teor de gordura.


É preciso retirar a gordura e dar preferência aos ensopados, cozidos e assados. Com relação às carnes grelhadas, a exposição da proteína à alta temperatura pode formar substâncias cancerígenas. No caso do churrasco, o contato da gordura com a superfície aquecida também pode formar outras substâncias ruins. 

Há alimentos que contêm agentes cancerígenos na composição e devem ser evitados. É o caso das carnes processadas, defumadas, curadas ou salgadas (carne de sol, charque e peixes salgados), que além do sal em excesso, são expostas ao alcatrão, o mesmo da fumaça do cigarro. Os embutidos como salsicha, linguiça, mortadela e salame têm conservantes que se transformam no organismo em outras substâncias. 

Para alcançar as recomendações diárias de nutrientes e substâncias protetoras é preciso aumentar o consumo de alimentos naturais. 


Consumir frutas variadas e hortaliças sem amido, pelo menos cinco vezes ao dia, é uma das recomendações do Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

As frutas e as hortaliças são ricas em fibras e substâncias antioxidantes, consideradas de proteção contra o risco da maioria dos tipos de câncer. As fibras aceleram a passagem do bolo alimentar, e acaba diminuindo o tempo de permanência de substâncias cancerígenas no organismo. Já as substâncias antioxidantes protegem contra os danos celulares causados por radicais livres, que podem ativar a formação de tumores. 

Atividade Física 


Faça 30 minutos diários de atividade física, leve ou moderada. A atividade física protetora consiste na iniciativa de se movimentar, de acordo com a rotina de cada um. Você pode, por exemplo, trocar o elevador pelas escadas, levar o cachorro para passear, cuidar do jardim, varrer a casa, caminhar ou dançar.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Confiram sete maneiras de blindar sua próstata!


Beba café


Tradicional, descafeinado, expresso… Qualquer tipo vale, segundo pesquisadores da Universidade Harvard (EUA). Eles descobriram que homens que bebiam seis ou mais xícaras de café por dia tinham 59% menos risco de desenvolver câncer avançado, em comparação aos que passavam direto pela máquina.

Exercite sua glândula


Por exemplo? Com sexo regular! Um estudo publicado recentemente analisou dados de quase 30 mil homens e descobriu que os que tinham pelo menos 21 orgasmos por mês apresentavam 30% menos risco de tumores na glândula do que os que mandavam brasa de quatro a sete vezes no mesmo período. Na dúvida, diga à parceira que são ordens médicas – ou masturbe-se…

Aposte no tomate


Sim, a história é antiga. Mas o recado ainda vale. A conexão foi estabelecida ainda nos anos 90, por uma pesquisa de Harvard, e estudos subsequentes confirmaram o poder do vermelho. O crédito é dado ao licopeno, pigmento presente no tomate – que se torna ainda mais potente se for cozido.

Aposente as frituras


Homens com níveis mais altos de gorduras trans no sangue têm duas vezes mais risco de câncer. Os ácidos presentes nesse tipo de gordura pioram inflamações e aumentam a resistência à insulina, fatores que podem desempenhar papel crucial no desenvolvimento da doença. Evite margarinas, frituras e produtos com gordura hidrogenada.



Mexa-se


Exercícios reduzem o risco de formas fatais de câncer de próstata em 41%, concluiu um estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard. Mais: entre os sobreviventes da doença, aqueles que se exercitavam vigorosamente (com aeróbicos) durante cinco horas semanais tiveram possibilidade 56% menor de morrer por causa da doença.

Caia na rede


Peixes não têm próstata – mas, se tivessem a glândula, certamente não sofreriam de câncer nela. Em estudos realizados em animais de laboratório, os ácidos DHA e EPA do ômega-3, presentes no óleo de peixe, inibiram tumores. Outro estudo de Harvard descobriu que homens que comem peixe três vezes por semana reduzem o risco de tumores agressivos de próstata em 25%.

Agarre-se ao brócolis


Estudo publicado demonstrou que homens que comeram três ou mais porções diárias de crucíferas (brócolis, mostarda, couve, repolho…) apresentaram risco 41% menor de ter câncer de próstata do que os que comeram uma porção ou menos. Isso graças aos glucosinolatos, fitoquímicos que ativam enzimas que neutralizam agentes carcinógenos – esses compostos se perdem quando as verduras são cozidas, então é melhor comê-las cruas ou levemente refogadas.